Após cinco meses de fuga, o garçom Igor Wendell Costa da Silva, 25 anos, acusado de assassinar Liliane Alexandre dos Santos, 23, grávida de dois meses, se entregou à polícia. Ele se escondeu durante todo esse tempo em Minas Gerais, nas áreas rurais das cidades de Unaí, Paracatu e João Pinheiro. Por conta da pressão da Polícia Civil sobre a família, o jovem teria sido convencido pelos próprios parentes a se entregar. Igor compareceu ao Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) do Jardim Ingá, distrito do município de Luziânia (GO), às 18h de terça-feira.
Igor matou Liliane em 1º de fevereiro, em um matagal de uma área rural do distrito. Primeiramente, ela foi dada como desaparecida. Três dias depois, o acusado também desapareceu e familiares chegaram a registrar uma ocorrência no Ciops. O garçom era noivo de outra mulher e mantinha um relacionamento com a vítima há vários meses. Segundo policiais, Liliane o pressionava para terminar o noivado porque estava grávida dele, e por isso ele a matou. Moradores da área rural onde a garota foi assassinada localizaram os restos mortais em 4 de junho.
O garçom relatou à polícia que teria bebido durante toda a noite do dia anterior e na manhã do crime. Agentes só descobriram o assassinato porque ele pediu emprestado o celular de um amigo para ligar para a amante naquele dia. O casal marcou de se encontrar, mas ela deixou o telefone carregando em casa. No fim daquele mesmo dia, Igor devolveu o aparelho ao amigo. Mas policiais ligaram no número registrado no telefone da vítima e chegaram ao dono do aparelho utilizado pelo acusado. A essa altura, Igor já havia contado ao rapaz que tinha matado a garota e pedido a ele que destruísse o chip do aparelho.
O Correio conversou com Igor. Ele se disse tranquilo e disposto a pagar pelo crime que cometeu, mas não acredita que o filho de Liliane fosse seu. Acompanhado pelos advogados, o rapaz revelou que se conheciam há 15 anos e que ele teria apenas tentado se defender. “Ela partiu para cima de mim e segurou no meu pescoço. Eu segurei no dela e apertei também. Soltei quando ela soltou, mas ela caiu. Fiquei desesperado e fui embora, mas achei que ela fosse ficar bem”, justificou-se.
Contradição
A polícia não acredita em vários pontos da versão de Igor. Dentre eles, de que o homicídio foi ocasional. Para o delegado titular do Ciops, Niteu Chaves Júnior, o crime foi premeditado. Segundo ele, é pouco provável que o acusado levasse a vítima para um local ermo e distante “apenas para conversar”. Ainda de acordo com o delegado, Igor deve responder por homicídio qualificado por motivo fútil e sem chance de defesa à vítima, e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão. “Ele já tinha procurado remédio para ela abortar, e tentou arrumar uma arma. Ele planejou”, garantiu.
A família de Liliane se concentrou na porta do Ciops vestindo camisas com fotos da vítima. A intenção era pedir por justiça. Segundo a mãe da garota, a funcionária pública Neuza Maria dos Santos, 47 anos, a sensação é um misto de alívio e tristeza. Seu maior medo é de que “a justiça não seja feita”. “O motivo de tudo isso foi a gravidez da minha filha, mas não precisava disso. Ele não era obrigado a casar com ninguém. Foi muita covardia”, afirmou. Neuza disse ainda que não deseja a morte do assassino. “A vida da minha filha não será devolvida por isso. Quero que ele pague. Sinto muita falta dela”, lamentou.
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