O Distrito Federal atingiu em junho a menor taxa de desemprego em 16 anos. Influenciado principalmente pelas contratações na administração pública, o índice recuou de 14,3%, em maio, para 14%, no mês passado, o mais baixo desde janeiro de 1995, quando o percentual chegou a 13,8. Para os meses de junho, o resultado é o melhor da série histórica (1) da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), iniciada em 1992. Os recordes foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Secretaria de Trabalho.
Pelo terceiro mês consecutivo, o número de pessoas empregadas aumentou no DF. Os setores que mais abriram vagas foram a indústria, os serviços e, em maior número, a administração pública, responsável por cerca de três de cada quatro postos de trabalho criados. As contratações para cargo público cresceram no período, em grande parte, por conta da lei eleitoral que proíbe qualquer forma de admissão no funcionalismo nos três meses que antecedem o pleito. Como as eleições serão em outubro, junho era o prazo final para contratar.
A criação de 5 mil postos fez o contigente de trabalhadores saltar para 1,210 milhão. Na comparação com o mesmo período de 2009, o crescimento é de 5,5% (veja quadro). A população economicamente ativa (PEA), ou seja, o grupo com o qual o setor produtivo pode contar como potencial de mão de obra, ganhou mil pessoas no período, chegando a 1,407 milhão. As vagas abertas conseguiram absorver o avanço da PEA e retirar do desemprego 4 mil brasilienses. Em junho, 197 mil pessoas estavam desocupadas. Em relação a igual período do ano passado, o universo de desempregados caiu 12%.
De acordo com a PED, a maioria das oportunidades de emprego no mês passado surgiu nas cidades consideradas de renda intermediária: Gama, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina, Núcleo Bandeirante, Guará, Cruzeiro, Candangolândia e Riacho Fundo. A pesquisa mostra ainda que o rendimento médio dos ocupados em maio — o dado mais recente — foi estimado em R$ 1.912, o que representa aumento de 1,2% frente ao mês anterior. Ante igual período do ano passado, a variação se limita a 0,1%.
Na análise dos últimos 12 meses, a PED mostra a criação de 63 mil ocupações, a maioria em localidades de renda mais baixa: Brazlândia, Ceilândia, Samambaia, Paranoá, São Sebastião, Santa Maria e Recantos das Emas. Nesse intervalo, 28 mil moradores do DF deixaram o grupo dos desempregados. O ranking dos setores que mais contrataram entre os meses de junho de 2009 e 2010 é liderado por serviços, comércio e construção civil.
Depois de seis meses distribuindo currículo, Fernando Amorim, 29 anos, conquistou em abril uma vaga de vendedor em uma loja de calçados. Desde então, é só sorrisos. “É melhor acordar para trabalhar do que para procurar emprego”, compara o morador de São Sebastião. Com o salário que chega a R$ 1,2 mil, incluindo as comissões, ele paga o aluguel e as demais contas da casa onde mora sozinho e ainda investe em cursos de capacitação. Em agosto, vai começar a estudar para ser assistente administrativo. “Agora que tenho carteira assinada, quero crescer na empresa”, justifica.
Expectativa
No último ano, o emprego também bateu à porta de Antônio Fábio Souza, 28, que ainda adolescente deixou a cidade de Ipueiras, no Ceará, para estudar e trabalhar no DF. Depois de 30 dias amargando o ócio, ele reconquistou, em agosto do ano passado, um lugar no mercado de trabalho como motoboy. “É bom demais dormir com emprego garantido. Sem ele, como é que eu ia sobreviver?”, comenta. Com salário de pouco mais de R$ 1 mil, ele arca com as despesas de casa e ainda investe na faculdade de pedagogia, que cursa à noite. “Quero me formar e voltar para a minha terra”, conta.
A taxa de desemprego no DF não surpreende o economista do Dieese Tiago Oliveira. No entanto, na avaliação dele, os números reforçam a expectativa de que o índice deste ano seja o menor desde o início da série histórica. Por enquanto, a taxa anual mais baixa foi registrada em 1994: 14,2%. “Caminhamos para bater esse recorde. O crescimento econômico no Brasil segue acelerado e isso contribui para a diminuição do desemprego”, sustenta Oliveira. Ele lembra que, no segundo semestre, por conta das festas de fim de ano e do 13º salário, os dados tendem a ser ainda mais animadores.
Para o secretário adjunto de Trabalho do DF, Gustavo Bruno, o resultado de junho também é reflexo da eficiência das políticas públicas de emprego adotadas pelo governo local. “Temos conseguido atender bem empregados e empregadores. Mapeamos as vagas disponíveis e qualificamos os desempregados de acordo com as necessidades do mercado”, comenta. De acordo com ele, há 569 vagas abertas no DF, para comércio, construção civil e serviços como camareira, costureira e garçom. “Estamos intensificando o cruzamento das informações e aumentando as parcerias com a iniciativa privada”, diz.
1 - Sondagem
A PED é feita mensalmente em domicílios do DF e de mais seis regiões metropolitanas do país. No DF, técnicos do Dieese visitam cerca de 2,9 mil residências. São coletadas informações de moradores com 10 anos ou mais. O menor índice de desemprego da história foi registrado em novembro de 1994: 12,9%. O maior, em abril de 2003: 23,9%.
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