Saiba por que o app de semelhanças com celebridades do Facebook é uma piada

Testamos o aplicativo que tem feito sucesso na rede social. Reconhecimento facial? Especialista rebate...

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/07/2015 20:11 / atualizado em 24/07/2015 20:59

Augusto Berto - Especial para o Correio

Reprodução
 

 

O aplicativo “O verdadeiro eu” – sucesso no Facebook com a promessa de encontrar a celebridade mais parecida com o usuário – deixou muita gente sem entender os critérios da ferramenta. Especialmente quando a amiga morena apareceu com 91% de semelhança com a modelo Gisele Bundchen. Ou depois que o colega do trabalho divulgou, todo orgulhoso, ser o sósia do ator George Clooney (e talvez no branco do olho houvesse semelhança...).

O Correio resolveu testar a calibragem do aplicativo com uma tarefa simples: usando as próprias imagens que aparecem como resultado das pesquisas do app. Pegamos a foto da cantora Shakira (que foi o resultado de uma colega que, claro, não tem nada a ver com a colombiana) e colocamos como foto de perfil. Em seguida, pedimos para o programa achar o famoso mais parecido. Na teoria, as duas fotos idênticas deveriam ser correspondentes. O problema é que o aplicativo considera Shakira parecida não com ela mesma, mas com a atriz Bruna Marquezine.

Para o analista de sistemas e desenvolvedor de aplicativos para Facebook Rafael Canguçu, o teste mostra que o programa verifica apenas dados básicos do perfil, como idade e gênero. Depois, propõe como resultado qualquer foto de qualquer famoso aleatoriamente. “Ele escolhe alguém do mesmo sexo e da mesma faixa etária. Reconhece no máximo o tom de pele da pessoa, para não dar um resultado muito diferente”, explica Canguçu.

Para validar a tese de Canguçu, trocamos a foto do perfil para a do ator Caio Castro. Depois, a opção “sexo” foi alterada para feminino. Então, “O verdadeiro eu” chegou à conclusão de que Caio Castro é 89% semelhante à atriz norte-americana Sandra Bullock.

 

Reprodução
 

 

“Tecnologia de reconhecimento facial não é fácil nem barata”, comenta o especialista. “Um bom programa do tipo custa ao menos R$ 6 mil”, estima. Um exemplo dessa ferramenta que dá certo é quando o Facebook distingue o rosto dos seus amigos nas fotos publicadas. Mesmo quando a pessoa está triste, alegre, ou muito distante da câmera. “Esses aplicativos populares raramente se preocupam em desenvolver tecnologia de ponta. Focam mais na diversão do usuário, é um erro proposital”, analisa Canguçu. Seu colega "parecido" com Clooney agradece.

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.