Suposta contaminação por arsênio faz com que estudos continuem em Paracatu

O arsênio, substância liberada no processo de retirada do ouro, seria absorvido pelo corpo humano, colocando a população em risco. Primeiros estudos feitos na cidade afastaram essa possibilidade

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postado em 13/07/2015 18:50 / atualizado em 13/07/2015 20:17

Mariana Laboissière

Os estudos epidemiológicos sobre o arsênio na cidade de Paracatu (MG) – a 200km do DF – devem continuar. Isso é o que prevê o aditamento de um Termo de Compromisso assinado no último dia 1º de julho entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Kinross Brasil Mineração, empresa proprietária da maior extratora de ouro a céu aberto do país, localizada a 250 metros da zona urbana do município mineiro. O arsênio, substância liberada no processo de retirada do ouro, seria responsável por uma suposta contaminação em massa da população. A questão foi noticiada em várias reportagens do Correio nos últimos meses.

A biodisponibilidade de arsênio, isto é, a possibilidade de absorção da substância pelo corpo humano, será analisa no estudo. Além disso, serão feitos levantamentos sobre a exposição em trabalhadores da mineração, em população infantil, em comunidades rurais e em moradores que apresentaram índices diferentes da média verificada em Paracatu. O Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ficará a frente da nova avaliação. Os pesquisadores da entidade trabalharão em parceria com estudiosos de universidades federais e internacionais.

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A primeira fase do estudo, encomendado pela prefeitura do município, foi finalizada em 2013. No relatório final concluiu-se que a população da cidade não estava exposta a teores de arsênio que gerassem risco à saúde. O estudo foi alvo de críticas por parte de cientistas da cidade e de acadêmicos. Alguns, afirmam que, ao contrário do que é relatado, os resultados demonstram perigo. Outros, inferem ser necessário um maior aprofundamento nas análises da avaliação, além de um envolvimento de mais pesquisadores de diferentes especialidades.

Minervino Júnior/CB/D.A Press


Os resultados da primeira fase dos estudos do Cetem foram apresentados em audiência pública na cidade, realizada em 2014. De acordo com informações do Ministério Público de Minas Gerais, análises confirmatórias da exposição humana estão em andamento. Diante do novo acordo, as partes se comprometem a adotar todas as medidas necessárias para garantir a independência e a imparcialidade da equipe técnica envolvida no estudo. O Cetem assumiu ainda a obrigação de apresentar resultados válidos e que observem os procedimentos mais reconhecidos pela comunidade científica.

O termo, que foi firmado inicialmente em 2011 pelas partes, também previa aportes anuais por parte da Kinross no valor de R$ 1 milhão durante o prazo de exploração. Dinheiro destinado a execução dos planos de fechamento da mina, desativação das barragens e recuperação de áreas mineradas. O documento também aborda questões como a proteção de áreas ambientais, a aquisição de insumos minerais e vegetais devidamente licenciados, a continuidade dos monitoramentos de ar, água, ruído e vibração, o custeio de projetos de relevância ambiental para a Bacia do Rio São Francisco e projetos específicos para o desenvolvimento do Parque Estadual de Paracatu.

Nos primeiros 10 meses da continuidade dos estudos epidemiológicos em Paracatu, os pesquisadores devem revisar documentos públicos, coletar novos dados e fazer visitas técnicas à Kinross. A etapa seguinte, já com acompanhamento das populações definidas, será finalizada em abril de 2017. A previsão é que a pesquisa seja finalizada e apresentada à população até julho de 2018. Representantes da sociedade civil criticam o longo prazo do processo.
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