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Correio Braziliense

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Nua pela natureza: projeto fotográfico alerta sobre devastação do cerrado

Duas amigas, uma fotógrafa e outra professora, lançam, nas redes sociais, um projeto para alertar sobre a devastação por que passa o bioma. De Brasília à Chapada dos Veadeiros, o caminho é percorrido com um tom de denúncia

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postado em 08/06/2016 08:14 / atualizado em 08/06/2016 09:13



Uma mulher nua, usando apenas um par de bota e uma máscara, é fotografada na estrada GO-118, ao longo do trecho que liga Brasília ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Em um primeiro momento, a cena causa surpresa. Mas, por trás dela, há um alerta. O intuito é mostrar a degradação ambiental que o percurso tem sofrido nos últimos anos, como o uso de agrotóxicos nas plantações e a derrubada de árvores. Ao entrar na área protegida, a modelo tira a máscara do rosto. Agora, ela pode respirar, em um espaço que permanece preservado.

O projeto O caminho do cerrado, da fotógrafa Melissa Maurer, convida à reflexão sobre a devastação do bioma local. O lançamento do conteúdo ocorreu nas redes sociais no último domingo, durante a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, e já ultrapassa 20 mil visualização. As fotos serão liberadas, aos poucos, nos próximos dias.

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Seis sessões, mais de 6 mil cliques, 52 imagens para postagens e 250 ainda a serem trabalhadas. Esses são os números que o trabalho de Melissa e a modelo M.M.G. resultou. As duas são amigas há mais de duas décadas e compartilham a paixão pelo meio ambiente. Moradora de Alto Paraíso há 12 anos, a fotógrafa trabalha com nudez há algum tempo e, segundo ela, o conceito usado é para sensibilizar. “O cerrado está, literalmente, sumindo. Além de tentar ajudar para que isso não prossiga, quero que as pessoas reflitam com o que está acontecendo com ele. Quero que as fotos causem impacto, mas que também mexam com as pessoas.”

Outro ponto do projeto é mostrar como a exposição do corpo da mulher vem sendo apresentada como algo banal e erótico. A apresentação do trabalho quebra o tabu da nudez e resgata a sabedoria, o empoderamento feminino, a liberdade de as mulheres serem o que são, da forma que quiserem, sem se sentirem ameaçadas ou inferiores. “Eu tive dificuldade no início, mas, depois, encarei a intenção da proposta e consegui posar para as fotos sem problemas. Dentro do nu, a gente mostra como o corpo está desprotegido com a degradação e exibe a fragilidade dele”, sintetiza M.M.G. A modelo, que exerce a profissão de professora, também já trabalhou com educação ambiental. Apesar de ser moradora de Brasília, tem casa em Alto Paraíso e abraçou a causa por perceber que a devastação toma conta da estrada com o passar dos anos.

Nas redes

Facebook:
O caminho do cerrado

Blog:
https://ocaminhodocerrado.blogspot.com.br/

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