Critérios para a escolha

Decisão determinante

Na hora de escolher a escola leve em consideração aspectos que vão além da sala de aula

Jéssica Luz - Especial para o Correio

Heloísa Moraes valoriza a nota do Ideb ao avaliar a instituição em que a filha Sofia estuda | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press
Heloísa Moraes valoriza a nota do Ideb ao avaliar a instituição em que a filha Sofia estuda | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press

Chegou a época do ano em que os pais começam a pesquisar as melhores instituições de ensino para que seus filhos possam ter uma educação de boa qualidade. O período de reserva de vagas está aberto e esse é o primeiro passo para o início da busca pela primeira ou por uma nova escola. Além de questões práticas, como preços e localização, é importante que os responsáveis saibam que aquele ambiente será como uma segunda casa para a criança ou o adolescente.

É no ambiente escolar que serão formadas as principais relações sociais além das vivenciadas na família. Lá estarão os primeiros amigos, as primeiras experiências de convivência social, as primeiras dúvidas e questionamentos voltados para o convívio em sociedade e sobre como se portar em diferentes situações que fogem daquelas a que o estudante está habituado em casa.

Para Heloísa Moraes, mãe de Sofia, 12 anos, que cursa o 5º ano do Centro de Ensino Fundamental Polivalente, é importante que os pais procurem saber mais sobre as vontades dos filhos, mas também avaliem o colégio como um todo. Ela conta que foi muito importante as colocações da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "Além da Sofia, tenho mais duas filhas que estudam aqui, e as três sempre quiseram vir para cá. Os principais fatores para mim foram a organização da escola, tanto pedagógica quanto administrativa, e o Ideb. A instituição sempre esteve em colocações boas ", observa.

Gracilda de Oliveira é mãe de Alice, que também estuda no Polivalente, e acredita ser essencial os pais visitarem a escola, mesmo se for uma instituição pública. "Claro que é importante nós nos atualizarmos quanto à nota do Ideb, mas você ir à escola, conversar com colaboradores e professores, conhecer o ambiente em que seu filho possivelmente vai passar um ou alguns anos, é de extrema importância ", completa.

Ficar por dentro do funcionamento diário da escola, com relação a cumprimento de horários, presença dos professores, segurança do aluno e acesso às áreas externas, são outros pontos essenciais destacados por Gracilda.

Os valores éticos e morais foram determinantes para a escolha de Elaine Alves ao matricular a filha no colégio Marista. Rafaela Aragão Maia cursa o 5º ano do ensino fundamental. "Eu optei por uma instituição católica porque achei que seria importante para a formação da minha filha que ela recebesse ensinamentos e valores que condizem com o que acreditamos na nossa família ", explica. "Além disso, a estrutura da escola é maravilhosa, é um local grande, o atendimento dos profissionais é exemplar desde a portaria. Todos conhecem e chamam minha filha pelo nome. Isso cria uma relação mais íntima e nos dá mais segurança", completa.

Opinião dos mestres

Professora de língua portuguesa, história e ensino religioso no Marista, Andréa Minafra destaca que uma boa estrutura é essencial, porque proporciona não só ao docente um ambiente de trabalho estimulante, como também um local agradável e que auxilia na aprendizagem do aluno. "O estudo é algo constante, não pode parar. Então, além da questão estrutural, é importante que a escola ofereça oportunidade de reciclagem de conhecimento aos professores, para que estejamos sempre atualizados. Nós precisamos de um ambiente rico em estímulos ", ressalta.

A gestão escolar é o ponto destacado pelo professor Gustavo Alves, que leciona geografia para as turmas de 9º ano do ensino fundamental do Polivalente. Na avaliação dele, é importante que a direção entenda as funções de cada um dos componentes da equipe. "O gestor tem de estar muito bem preparado para manter a escola em uma ordem que seja prazerosa a todos que estão inseridos naquele meio. Sem contar com o material didático, que é essencial. Esses são pontos fundamentais ", detalha.

O professor Gustavo Alves detaca o papel essencial da gestão | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press
O professor Gustavo Alves detaca o papel essencial da gestão | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press

"O gestor tem de estar muito bem preparado para manter a escola em uma ordem que seja prazerosa a todos que estão inseridos naquele meio. Sem contar com o material didático, que é essencial. Esses são pontos fundamentais"
Gustavo Alves, professor de geografia

Com a palavra, os estudantes

Fernanda Paiva de França afirma que o ambiente escolar a faz pensar no futuro: ensinamentos para a vida toda | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press
Fernanda Paiva de França afirma que o ambiente escolar a faz pensar no futuro: ensinamentos para a vida toda | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A. Press

Apesar de a decisão final sobre a escola ser dos pais, os estudantes também têm muito o que dizer a respeito da instituição de ensino onde passam grande parte do dia. Eles têm consciência de que esse ambiente contribui para o desenvolvimento de competências que vão além dos conhecimentos formais, reconhecem a importância dos professores e esperam poder contar com o apoio deles e dos gestores em momentos importantes, como o de transição entre ciclos.

Fernanda Paiva de França, 11 anos, aluna do 5º ano do ensino fundamental no Marista, sabe o papel exato que a escola desempenha em sua vida. O tempo que ela passa no ambiente escolar a faz pensar no futuro e, ao mesmo tempo, a deixa mais à vontade ao desenvolver relações interpessoais. "A escola acaba me dando muito mais do que um ensino dentro de sala de aula. Aqui, eu faço amigos e pretendo levá-los para a vida toda. Com as conversas que temos em grupo, eu consigo entender melhor sobre o que eu quero fazer da minha vida e como tudo isso que eu estou passando agora vai afetar no meu futuro ", assegura.

No próximo ano, Fernanda passará pela transição para o ensino fundamental 2, quando começará a cursar o 6º ano. Ela conta que a escola tem dado muito suporte aos alunos nesse momento e entende que será uma grande mudança. "Agora, nós estamos em uma fase chamada Projeto Transição, onde temos diversas atividades que nos introduzem ao novo estilo que vamos viver a partir do 6º ano ", explica. A estudante acrescenta ainda que todos passam por um tipo de formação em uma chácara em Pirenópolis (GO), onde se reúnem com as demais turmas de 5º ano.

Relevância

Sofia Moraes tem 12 anos, mas já sabe muito bem o que uma escola deve ter para chamar a atenção. Ela migrou da rede privada para a pública e, atualmente, estuda no Polivalente. "Eu acho que os professores de uma escola são o principal, eles devem ensinar bem. Nós estamos aqui para aprender e, infelizmente, vemos muitas escolas em que os alunos não aprendem ou até que não têm professores, e isso é muito ruim ", comenta.

Já Alice Darling, 14, aluna do 9º ano do Polivalente, acha que os projetos que a escola oferece, além das aulas obrigatórias, são de extrema importância para a formação do aluno. "Aqui nós temos um envolvimento com o grêmio estudantil, temos projetos que nos ensinam mais sobre valores morais e éticos", afirma Alice. Segundo ela, a escola incentiva discussões sobre temas variados, o que ajuda a promover uma convivência mais harmônica. "Esse tipo de debate com alunos faz com que o nosso convívio aqui dentro seja mais leve e saudável", observa.

A vez dos pequenos

Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press
Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press

"Eu tinha meus projetos pessoais, gostaria de voltar a estudar e, mesmo amando ficar com meu filho, tive que abrir mão de um tempo com ele para me realizar também. Não temos família em Brasília, e isso me incomodava. O Davi não tinha amigos e não mantinha relações extrafamiliares, o que eu acho de extrema importância"
Gláucia Lemos, mãe de Davi

O cuidado com a escolha da escola deve ser ainda maior quando se trata da primeira vez. A decisão sobre em qual creche ou colégio matricular os pequenos é delicada, pois, para muitos, pode ser o primeiro contato com um ambiente cheio de informações novas e relações diferentes daquelas que têm com a família.

Para a psicóloga do Infante Day Care, em Águas Claras, Marcella Rayol, a família deve fazer uma ampla pesquisa antes de deixar a criança em um ambiente desconhecido. "Os pais precisam ir ao espaço e compreender a proposta pedagógica que vai ser oferecida para essas crianças. Algo que muitos pais não sabem é que existe uma proposta pedagógica para cada idade, e a escola que está recebendo essa criança é responsável por esse primeiro ensinamento", destaca.

Mariana, filha de Priscylla Marques, 31 anos, começou a conviver nesse novo ambiente a partir dos 5 meses, pois a mãe precisava voltar ao trabalho. "Foi um processo de pesquisa muito trabalhoso, minha filha não sabia nem se sentar sozinha e eu tive que deixá-la em um escolinha", afirma. "Devemos focar em como vão tratar nossos filhos nessa fase da vida. Aqui, eu pude sentir o acolhimento e o amor que a instituição tem com minha filha, isso foi primordial", completa. Hoje, a pequena está com 3 anos.

Gláucia Lemos, 31, é mãe de Davi, 4, que não para quieto de tão à vontade que se sente no espaço. Davi ficou em casa até completar um ano e meio de idade, quando, então, passou a conhecer um ambiente diferente daquele em que viviam a três - mãe, pai e filho. "Eu tinha meus projetos pessoais, gostaria de voltar a estudar e, mesmo amando ficar com meu filho, tive que abrir mão de um tempo com ele para me realizar também. Não temos família em Brasília, e isso me incomodava. O Davi não tinha amigos e não mantinha relações extrafamiliares, o que eu acho de extrema importância."

Critérios

Professora de história e especialista em gestão escolar, Tania Fontolan destaca que a escolha da escola exige esforço e atenção dos responsáveis. "Os pais não podem tratar o assunto como uma questão de consumo qualquer. Para quem está passando por isso, é importante que reserve um tempo para cada opção que for considerada. Visitas, conversas com outros pais e alunos e entender o sistema da escola são coisas básicas", ressalta. Abaixo, confira as orientações da educadora:

  • addProcure valores compatíveis
    Busque compatibilidade com os valores e convicções da sua família e compare com os projetos da escola. "Atualmente, vivemos em um mundo polarizado, e isso pode se chocar com o que muitos pais desejam para os filhos", afirma Tania.
  • addVá além da sala do coordenador
    É importante as famílias saberem que a escola vai mostrar o seu melhor no momento de fechar a matrícula. Por conta disso, é preciso conversar com pessoas que já estão inseridas naquele ambiente, seja com pais de alunos, seja com alunos antigos, para entender melhor sobre o cotidiano da instituição. Agende uma visita prévia ao ambiente, uma boa caminhada pelos corredores pode ajudar.
  • addPergunte sobre os resultados
    Isso vai depender do que você quer para o seu filho. A família está buscando uma escola conteudista? Se sim, tente descobrir como os alunos da instituição se saem em avaliações externas e em testes de conhecimentos. Saiba distinguir formação de performance. É necessário entender o perfil que a escola tem e o que você deseja naquele momento.
  • addSe seu filho é mais velho, consulte-o
    Claro que crianças de 6 anos não têm discernimento para escolher uma escola, mas, caso seu filho seja jovem ou adolescente, consulte-o. É importante levar em conta o perfil dele, além do que você deseja, e, assim, escolher uma escola que se encaixe no que ambos buscam.
  • addNão busque perfeição
    Não existe a escola perfeita. Mesmo quando nos tornamos adultos nem sempre fazemos tudo o que queremos ou gostamos. Como estudantes, devemos entender isso também, e mais ainda como pais. Não ache que seu filho vai estudar em um ambiente livre de problemas. Por isso é tão importante atentar ao conjunto de tudo que foi citado. Danos podem ser minimizados caso o processo seja feito com calma e cuidado.

Matrículas abertas na rede pública

Período de registro de novos alunos da rede pública de ensino vai até a próxima segunda-feira

Álef Calado - Especial para o Correio

A diarista Ellen Miranda solicitou a inscrição de Agatha na escola perto de onde trabalha, que oferece ensino em tempo integral | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
A diarista Ellen Miranda solicitou a inscrição de Agatha na escola perto de onde trabalha, que oferece ensino em tempo integral | Foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Termina na próxima segunda-feira (23/10) o prazo de matrículas de novos estudantes para o ano letivo de 2018 na rede pública de ensino do Distrito Federal. Pais e responsáveis podem realizar as inscrições por meio da central de telematrícula (número 156, opção 2), pelos postos de autoatendimento do Na Hora ou pelo site da Secretaria de Educação do DF (SEDF). A expectativa da pasta é de receber pelo menos 40 mil solicitações, demanda semelhante à do ano passado.

O período abrange inscrições de alunos do primeiro período da educação infantil ao 3º ano do ensino médio. Para aqueles que querem uma vaga para a educação de jovens e adultos (EJA), o prazo é de 24 a 31 de outubro. É necessário informar nome completo, data de nascimento, endereço e CPF do estudante. O documento, antes opcional, passa a ser exigido como uma forma de incentivar os responsáveis a emitir o cadastro dos filhos e aproveitar benefícios como o Passe Estudantil.

Outra novidade é a disponibilidade de matrícula via internet. O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da SEDF, Fábio Pereira de Souza, explica que o serviço funciona desde 2014. "Contudo, valia apenas para estudantes oriundos da rede particular. Este ano, será aberto para todos, e com a obrigatoriedade do CPF."

A diarista Ellen Miranda, 35 anos, aproveitou a novidade e já fez a matrícula da filha, Agatha, 4. "Foi bem simples, só precisei fazer o cadastro dela na secretaria e fornecer algumas informações. Como ela já tem CPF, não tivemos problemas com relação a isso", conta. Mesmo com o novo sistema, ainda não é possível escolher a unidade educacional onde o aluno vai estudar. "A única opção que dá para colocar é se prefere perto da residência ou do trabalho. Coloquei o CEP da casa da minha patroa, porque a escola que fica próxima é de ensino integral e eu vou poder levar e buscar a Agatha. Ela frequenta uma creche pública desde os 10 meses e não vê a hora de começar na escolinha", diz a mãe.

Maria Ketlen, 4, também está animada para finalmente dar início à trajetória escolar. A mãe, Cristiane Oliveira, 35, também já concluiu a inscrição da pequena. "Fiz pelo telefone mesmo; foi rápido e bem tranquilo. Precisei informar só o nome e o CPF dela e o endereço de onde a gente mora", conta. Agora, a moradora de Ceilândia aguarda pela confirmação. "É só esperar para ver se vamos ser contemplados. Meu interesse mesmo é por uma vaga na Escola Classe 61, que fica perto de casa. Estou confiante", garante.

O resultado sai em 20 de dezembro, a partir das 17h, no site da Secretaria de Educação. Vale ressaltar que o responsável deve ir à escola correspondente para apresentar a documentação exigida e efetivar a matrícula. O subsecretário garante que todas as solicitações feitas dentro do prazo serão atendidas. "Alunos e responsáveis que perderam a data limite podem solicitar as vagas remanescentes em janeiro de 2018. As datas ainda serão divulgadas."

Renovação de matrícula

Quem já é estudante da rede pública ou quer mudar de escola também deve ficar atento aos prazos. A renovação da matrícula vai até 13 de outubro e deve ser feita diretamente com a secretaria do centro de ensino. Os alunos que pensam em solicitar o remanejamento para outra unidade têm de segunda-feira a 3 de novembro para providenciar os documentos.

Participação é fundamental

O primeiro dia de escola pode ser um momento difícil para as crianças. Deixar o aconchego de casa para enfrentar um lugar novo, cheio de gente estranha, dá um frio na barriga até em quem é mais velho. A orientadora educacional Amélia Teixeira explica que os responsáveis podem ajudar nessa transição. "Se o pai passar uma postura confiante em relação à segurança oferecida pela instituição de ensino, a criança vai entender que aquilo é bom para ela. A recomendação que eu sempre dou é que eles levem os filhos para conhecer a escola alguns dias antes do início das aulas. Assim, eles não ficam tão perdidos."

Para o bom desenvolvimento da criança, a presença dos responsáveis na vida escolar é crucial. "Tem pai que não sabe sequer qual a turma que o filho frequenta. Isso é preocupante, porque a gente espera que eles acompanhem o aluno, verifiquem o material escolar, olhem a agenda. Os pais precisam estar presentes sempre", afirma a pedagoga Edilsa Nogueira Venâncio. "A escola é um processo de desenvolvimento, em que a criança vai amadurecendo. Além da orientação da escola, ela precisa de supervisão da família", completa.

Passo a passo

Veja como realizar a matrícula na rede pública

  • addInternet
    • Acesse www.se.df.gov.br e clique no banner "matrícula de novos estudantes"
    • Leia as informações e insira CPF, nome completo e data de nascimento da criança
    • Caso a criança esteja vindo da escola particular, aparecerá o nome dela. É só clicar nele e prosseguir com a inscrição. Caso o nome não conste no registro, clique no botão "inserir nova inscrição"
    • Preencha as informações solicitadas (nome da mãe ou do responsável, CEP, ano/série pretendida para 2018, sexo, telefone para contato e e-mail) e clique em gravar
    • Marque a opção de estudar perto da residência ou do trabalho e insira o CEP e o endereço do local escolhido
    • Confira as informações e finalize o procedimento. Se você quiser, pode imprimir o comprovante de inscrição. Após a confirmação dos dados, qualquer alteração na inscrição pode ser feita por meio de contato telefônico com a Central 156, opção 2
  • addTelefone
    • Ligue 156, opção 2
    • Informe CPF, nome completo e data de nascimento do candidato. O atendente realizará a inscrição
    • O serviço funciona de segunda a sexta, das 7h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h.
Onde fazer

Quem não tem acesso à internet em casa pode fazer o cadastro nas máquinas disponíveis em postos do Na Hora.

Veja onde ficam as unidades:
  • addShopping Popular de Ceilândia
    • QNM 11, Área Especial - Ceilândia Sul
    • Contato: 2104-1496
  • addGama Shopping
    • EQ 55/56, Área Especial 1 - Setor Central do Gama
    • Contato: 2104-1563
  • addShopping Riacho Mall - 2º andar
    • QN 7, Área Especial 1 - Riacho Fundo I
    • Contato: 2104-4711
  • addRodoviária de Brasília
    • Subsolo, ao lado da entrada do metrô.
    • Contato: 2104-1528
  • addSerra Shopping - Sobradinho
    • Quadra Central, Bloco 11 Lote 7 Lojas 16 a 24
    • Contato: 2104-1441
  • addTaguatinga
    • QS 03 lote 11, lojas 4 a 8 - Pistão Sul/ Águas Claras
    • Contato: 2104-4501

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 7h30 às 18h30 e, aos sábados, das 7h30 às 12h30.
Informações: www.nahora.df.gov.br

Escolas oferecem diferentes métodos de ensino

É indispensável levar em consideração a linha pedagógica da escola e a identificação da criança com a metodologia oferecida para acertar na escolha

Renata Nagashima*

Jinan Ramadan optou pelo método montessoriano para a filha Julia, que cursa o 5º ano do ensino fundamental | Foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press
Jinan Ramadan optou pelo método montessoriano para a filha Julia, que cursa o 5º ano do ensino fundamental | Foto: Antônio Cunha/CB/D.A Press

Diante da importante decisão sobre em qual escola matricular os filhos, os pais devem levar em consideração o método de ensino adotado e analisar qual deles atenderá de maneira mais completa as necessidades do estudante. Isso inclui considerar se a metodologia se relaciona com os valores da família, para que a identificação com o ambiente escolar seja mais natural.

De acordo com o professor Célio da Cunha, do programa de pós-graduação da Universidade Católica de Brasília (UCB), a escolha da escola deve ser uma decisão em conjunto entre pai e filho, levando em consideração características da criança, que deve se identificar com o ambiente escolar e com os projetos de cada método. "É interessante conhecer os projetos da escola, pois eles fazem parte do processo de formação crítica do aluno", observa.

A pedagoga Vera Vianna explica que há um catálogo amplo de metodologias e que as linhas de ensino são essenciais para que os valores dos pais estejam de acordo com a proposta da instituição. "Cada caso é um caso. Por exemplo, se a família é muito religiosa, é importante que ela escolha uma escola que tenha um fundo religioso inserido em seu método de ensino. Assim, a criança terá mais facilidade para se identificar com o ambiente escolar", ressalta.

Para Jinan Ramadan Ibrahim, o momento mais difícil está sendo o de escolher outra escola para sua filha, Julia, de 10 anos. A dentista conta que, antes de a criança nascer, já sabia que o colégio que segue o método montessoriano seria o ideal para ela, que está terminando o 5º ano no colégio Maria Montessori e precisará escolher outra instituição. "Hoje, tenho dois filhos matriculados aqui. Ambos começaram no maternal e está sendo um rompimento muito difícil. Mas conversei com várias pessoas da escola e eles me tranquilizaram, porque ela foi preparada desde o começo para se adaptar também a outras metodologias."

Nas visitas a outras instituições, Julia está sempre presente e conta que as duas estão escolhendo juntas uma instituição que se pareça mais com a personalidade dela. "Eu gosto muito daqui, vou sentir falta do ambiente, dos meus amigos e professores", diz.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Conheça alguns dos métodos adotados

Freinet

As escolas que seguem o método Freinet, com fundamentos do pedagogo francês Célestin Freinet, apresentam uma proposta pedagógica que prioriza, por meio do método natural da leitura e da escrita, o desenvolvimento integral e individualizado dos alunos. Um exemplo de instituição que adota o método no Distrito Federal é o Colégio Arvense, onde os alunos são incentivados a compartilhar suas produções com colegas de classe ou de escolas diferentes, e as avaliações do estudante levam em conta o progresso em relação ao seu desempenho anterior. Seus principais valores são a afetividade, conhecimento não dogmático, prática verde, solidariedade, criatividade, ética, respeito, responsabilidade e cooperação.

Logosófico

O método logosófico foi criado pelo educador e humanista argentino Carlos Bernardo González Pecotche e tem como base a concepção do ser humano, do universo e das leis que regem toda a criação. O objetivo é preparar indivíduos mais livres e mais felizes, responsáveis, com confiança em si mesmos e com defesas mentais que lhes ofereçam recursos para enfrentar os problemas que afetam a humanidade, aprendendo a fazer o bem conscientemente. Em Brasília, a metodologia é abordada pelo Colégio Logosófico.

Montessoriano

A pedagogia montessoriana foi desenvolvida pela pedagoga Maria Montessori e prioriza a liberdade de escolha da criança. A diretora pedagógica da Escola Maria Montessori, em Brasília, Marcia Fatureto, explica que a base do método é desenvolver na criança autonomia e liberdade de escolha. "O aluno tem a livre escolha a respeito do que ele quer aprender, partindo da sua necessidade. Treinamos as crianças para que elas tenham responsabilidade e compromisso. Nosso método desenvolve a criança não só cognitivamente, mas a desenvolve para viver no mundo de uma forma geral", explica.

Waldorf

A metodologia Waldorf segue um método naturalista, priorizando incentivar o conhecimento aliado ao sentimento do aluno. Uma das instituições que aplicam o método em Brasília é a Escola Waldorf Moara, mantida por integrantes da Associação Antroposófica Moara. A instituição é contra o uso da televisão e de brinquedos industrializados, e o conteúdo é apresentado de forma artística, por meio de imagens, desenhos e poesias.

Pontos essenciais

Veja as orientações para a hora de escolher o método de ensino ideal

  • addPersonalidade
    Leve em consideração a personalidade da criança e os valores da família.
  • addLugar físico
    Escolha um lugar que tenha um espaço físico adequado.
  • addMétodos
    Priorize métodos inclusivos, preocupados com a diversidade, que valorizem o estar com o outro, a parceria, e que tenham regras de convivência.
  • addProfessores
    Avalie se os professores estão, de fato, envolvidos com a filosofia do colégio.
  • addMetodologia
    Escolha uma metodologia em que a criança possa sentir-se integrada ao processo educativo.

Cobrança por resultados

Especialistas relatam ser necessário equilíbrio na relação dos pais com as escolas no momento de exigir retorno do que foi prometido pela instituição

Mariana Landim ao lado da filha, Luiza: diálogo com a escola | Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Mariana Landim ao lado da filha, Luiza: diálogo com a escola | Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Escolher a escola ideal para os primeiros passos rumo ao aprendizado da criança costuma ser uma tarefa difícil. Muitas coisas devem ser levadas em consideração. O método de ensino, a grade curricular e o espaço de convívio estão entre as prioridades. A questão é que algumas escolas podem não cumprir o que prometem. E quando chega o momento de os pais cobrarem os resultados, o problema vira um dilema.

Para a psicóloga Isadora Brasil, o equilíbrio ideal das cobranças é algo difícil de ser alcançado. "Muitas vezes, os pais trazem algo que eles mesmos viveram na infância ou o que viveram e não desejam reproduzir em suas famílias", exemplifica.

A cobrança saudável deve ser feita a partir de uma coerência familiar, segundo a especialista, que se exija o que está ao alcance do filho e que os pais possam conhecer as limitações da criança ou do adolescente. "Penso que as coisas mais prejudiciais são as comparações com outras pessoas, ou até mesmo a imprevisibilidade. Por exemplo, os pais que exigem de acordo com seu estado emocional, relevando notas ruins quando estão bem ou sendo muito exigentes quando estão descontentes", completa.

A mãe e estudante Mariana Landim, 27 anos, acaba de escolher a escola para sua filha Luiza, de 1 ano e 8 meses. Ela se apaixonou pelo método de ensino da instituição que selecionou e também por se tratar de uma escola menor. "Eu estudava em um colégio pequeno onde todo mundo se conhecia. Foi isso que eu busquei na hora de ajudar a minha filha a dar seus primeiros passos no universo escolar. Eu sei que aqui ela não vai ser só mais um número", diz.

O fato de a escola ser bilíngue também contou muito na decisão da mãe. Mariana destaca que isso era raro no seu tempo de escola, mas hoje em dia é uma questão de extrema importância, principalmente para o futuro do aluno. "É uma tendência e faz muita diferença. Ela vai sair da escola sabendo mais inglês do que eu", acredita.

Por ser mãe de primeira viagem, se preocupa muito com a aprendizagem da filha. Para ela, o ideal seria que a escola desse o feedback diariamente para os pais. "Eu busquei uma escola que pudesse me entregar isso e oferecesse uma comunicação mais próxima com os pais. Acho que é sempre bom esse laço estreito porque a gente pode exigir os resultados de uma maneira mais fácil", diz.

Mariana acredita que a cobrança é uma forma de acompanhar o desenvolvimento da criança. "É isto que eu quero em primeiro lugar: que ela receba conhecimento e seja feliz no lugar que eu escolhi, e é isso que eu vou pedir", resume.

Construção coletiva

A psicóloga e mestre em psicologia clínica Amanda Mota considera que famílias devem cobrar não apenas resultados de aprendizagem, m as também espaços de participação e construção coletiva da educação dos seus filhos. "Considero que é muito importante que os pais conheçam o professor do filho e conversem com ele não apenas sobre o desenvolvimento cognitivo, mas também o interpessoal e o emocional. Além disso, se os pais puderem falar para o professor sobre como é o filho e o professor estiver aberto a escutar, talvez isto possa ajudar o educador a ensinar aquela criança em específico", afirma.

Para ela, os pais precisam ter clareza da proposta da escola, bem como têm o direito de expressar o que esperam da aprendizagem do seu filho. "É importante haver uma interlocução entre pais e escola, em que tanto os pais acompanhem e deixem claro o que esperam, fazendo a sua parte no acompanhamento do aprendizado em casa, como também que a escola esclareça sua proposta pedagógica, como funciona, e inclua os pais no processo de aprendizagem dos filhos", completa.

Amanda diz que, quanto mais a escola e a família puderem dar espaço para que o aprendizado seja uma experiência criativa, menos necessário será cobrar algo da criança, pois ela vai ter interesse por realizar as atividades de modo satisfatório, uma vez que dizem respeito a ela.

Preparação para a vida

A cobrança não é diferente quando o assunto é vestibular, mercado de trabalho e Enem. Os alunos do ensino médio estão no começo de suas vidas e os estudos fazem parte de sua rotina. A estudante do 3º ano, Laura Cardoso, 17, acredita que a escola ideal precisa preparar os alunos para o mundo e que aulas extracurriculares são de extrema importância. "É sempre um preparo para o vestibular. Estamos acostumados, e minha mãe também. Ela cobra a minha presença nas aulas e na monitoria", afirma.

Thiago Fraga, também do ensino médio, diz que a sua escola sempre dá abertura para os pais. "A minha mãe está sempre perguntando das provas, das inscrições para os simulados e vestibulares. Às vezes ela liga para os professores para confirmar se eu estou inscrito nas provas ou não", conta o aluno. E quem confirma é o coordenador do ensino médio e ensino fundamental do COC, Pedro da Costa Júnior. "É um acompanhamento constante do resultado e do desempenho do filho. No dia que as notas baixam um pouquinho, a mãe aparece na coordenação perguntando da prova", assegura.

A diretora Kátia afirma que não existe educação se não houver parceria. "A presença dos pais é indispensável na escola", diz. Assim, a cobrança de resultados fica mais presente e saudável para a equipe, os pais e os alunos.

A cobrança é rotineira nas escolas. A pedagoga Kátia Carneiro, diretora do COC Lago Norte, conta que os pais exigem muito da instituição. Desde a organização com o uniforme até o resultado que o aluno vai ter no vestibular daqui a 20 anos. "Eu recebo alguns pais que vêm visitar a creche e já perguntam qual é o ranking da escola no Enem, quando o filho estiver no ensino médio, um futuro um pouco distante", avalia.

A diretora diz ainda que alguns pais solicitam que a instituição desenvolva inteligência lógica e matemática para crianças de um ano. "Isso é ótimo, mas eu, como educadora, tenho que mostrar para os pais que isso deve ser dosado. A criança tem que ter a hora do parquinho, dos estudos, da contação de histórias, do cochilo.Tudo tem que caminhar no tempo certo", destaca a pedagoga. Para ela, o espaço do pai termina quando o da escola começa.

Aliada

A tecnologia, usada de maneira correta e caminhando lado a lado com o ensino, é algo muito procurado, principalmente pelos jovens pais. No COC Lago Norte uma Sala 3D, lousa digital e tablets fazem parte da rotina dos alunos, contribuindo para que eles se interessem ainda mais pelo conteúdo.

Kátia Carneiro, pedagoga e diretora do colégio, conta que a instituição optou por usar os novos meios de comunicação para, também, entrar em contato com os pais dos alunos. "Qualquer comunicado acaba sendo enviado por e-mail, WhatsApp, agenda virtual, Facebook e telefone. Nós utilizamos todas as formas de comunicação virtual", afirma.

Cuidados com o orçamento

Especialistas destacam a importância de avaliar se os gastos cabem no orçamento familiar

Renata Nagashima*

Antonia prioriza os gastos relacionados à educação da filha, Ana Luiza, na hora de fazer o planejamento da família | Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press
Antonia prioriza os gastos relacionados à educação da filha, Ana Luiza, na hora de fazer o planejamento da família | Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press

O período de matrículas escolares se aproxima e os pais devem estar atentos a pontos importantes no momento de decidirem pela escola dos filhos. Especialistas concordam que, além de questões pedagógicas, é preciso avaliar as ofertas disponíveis e questões contratuais de cada instituição e cuidor do planejamento para que os gastos com educação estejam dentro do orçamento familiar durante todo o ano letivo.

De acordo com assessor jurídico do Procon/DF Felipe Mendes, o primeiro ponto a ser observado durante as pesquisas é a opinião de outros pais. "Além da visita à instituição, é importante entrar em contato com quem utilizou o serviço. No caso das escolas, conversar com outros pais e checar se a instituição tem histórico de abusividade com o consumidor", orienta.

Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (ASPA/DF), concorda. "É bom conversar com outros pais que tenham vínculo com a escola em questão para saber como é o comportamento da instituição com relação ao aspecto financeiro."

Os especialistas destacam que, no ato da realização da matrícula, os pais devem ter acesso ao planejamento pedagógico para o ano letivo. Nesse plano devem constar todas as atividades programadas para o ano escolar, incluindo as complementares e as obrigatórias. "O valor dessas atividades deve estar incluído na mensalidade proposta no contrato, somente será possível a cobrança se as atividades forem opcionais, como passeios e viagens. Nesses casos, como não há obrigatoriedade de participação, não há qualquer prejuízo decorrente da ausência do estudante", esclarece Felipe Mendes.

Reajuste

Em relação à renovação de matrícula, o assessor jurídico explica que não há um percentual limite a ser cobrado, mas, caso o valor ultrapasse os cálculos relacionados à inflação, deve haver uma planilha em que sejam apresentados os gastos da escola, justificando o aumento. "Essa planilha deve ser divulgada no período mínimo de 45 dias antes da data final para matrícula, em local de fácil acesso, junto ao contrato e ao número de vagas por sala. É uma forma de os pais controlarem o aumento dos valores referentes à anuidade ou semestralidade, além de poderem optar por matricular ou rematricular os filhos naquela escola ou por buscar outra instituição de ensino."

"Taxas de reserva de vaga são consideradas ilegais. No entanto, é comum que algumas escolas cobrem um valor a título de renovação. Nestes casos, tal valor deve ser computado na anuidade ou semestralidade. O valor que muitas vezes é cobrado no ato da rematrícula deve ser entendido como a primeira parcela das 12", esclarece o assessor jurídico. Ele acrescenta que a Lei nº 9.780, de 1999, é clara ao dizer que todo custo referente ao curso deve estar dentro do valor anual ou semestral estabelecido pela escola. Qualquer cobrança adicional é tida como abusiva.

A massoterapeuta Antonia Sousa Rodrigues conta que, na hora de fazer o planejamento da família, prioriza os gastos relacionados à educação da filha, Ana Luiza, de 7 anos. "A partir do valor da mensalidade calculamos quanto teremos para os gastos mensais e quanto será destinado para alguma outra atividade extra", conta a brasiliense.

Na hora de escolher a instituição de ensino para Ana Luiza selecionou escolas que ofereciam um pacote completo no plano pedagógico. "Um dos critérios foi a oferta, além da grade curricular comum, atividades como esportes e plantões de dúvidas dentro da instituição. Assim, evitamos gastos com professor particular e transporte para aulas extras."

Para Antonia, um bom planejamento no começo de cada ano letivo é essencial para que, em tempos de crise, a educação dos filhos não fique prejudicada. "Passamos por alguns momentos em que precisamos ajustar nosso orçamento e cortar gastos para não deixar de pagar o colégio. Nossas principais crises foram quando tínhamos dois filhos no em idade escolar. Para não prejudicá-los, fizemos um novo plano e mantivemos somente o que realmente era prioridade", conta.

"É importante entrar em contato com quem utilizou o serviço. No caso das escolas, conversar com outros pais e checar se a instituição tem histórico de abusividade com o consumidor"
Felipe Mendes, assessor jurídico do Procon/DF

Dicas para o planejamento financeiro

O planejamento financeiro é um ponto extremamente importante que deve ser cuidadosamente avaliado antes de um contrato ser fechado. Em muitas instituições, além do valor da mensalidade, há gastos extras, como esportes que o aluno queira fazer, cursos de idiomas, saídas de campo ou viagens propostas pela escola. "É importante que seja avaliado o quanto essa família está disposta a investir em educação e a partir daí escolher a instituição, para que futuramente o valor não comprometa a renda total", salienta o especialista Alessandro Costa.

Ele aconselha a incluir todas as despesas relacionadas ao estudo dos filhos nesse planejamento. Assim, além da mensalidade, devem constar gastos com uniforme, lanches, material escolar, atividades facultativas e deslocamentos.

Em casos de inadimplência, o colégio não pode proibir o aluno de assistir às aulas, fazer exames ou participar de qualquer atividade pedagógica até o fim do ano letivo. "A criança ou o adolescente têm direito de terminar o semestre ou ano e ter acesso à documentação para transferências. Há casos de colégios que retiveram a documentação do aluno para liberar só quando a dívida fosse quitada. A instituição deve buscar medidas legais para receber o que é devido", explica Luis Claudio Megiorin.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer
  • addConhecer

    Educadores precisam saber quem são seus alunos para entender melhor o seu perfil e as condições que favorecem ou dificultam a sua aprendizagem.Torna-se difícil oferecer uma educação que faça sentido quando não sabemos a quem estamos servindo. É preciso identificar onde esses estudantes vivem, sua realidade familiar e situação socioeconômica, sua trajetória escolar e dificuldades de aprendizagem, questões de saúde física e psicológica, interesses e expectativas, inclusive em relação à escola. O desafio, nesse caso, consiste em não rotular ou estigmatizar o estudante, mas utilizar essas informações a favor da sua aprendizagem.

    Como colocar em prática

    O trabalho de coleta e análise de informações sobre cada aluno torna-se mais viável quando compartilhado por gestores e equipe docente.

    Exemplos:
    • Questionários preenchidos no momento da matrícula ou no início das aulas para levantamento de informações relevantes sobre cada aluno;
    • Conversas individuais com as famílias, realizadas de maneira franca, estruturada e sem julgamento;
    • Atividades de integração na primeira semana de aula para que os alunos possam refletir e expressar ideias e sentimentos sobre si, sua realidade presente e suas expectativas em relação à escola, o ano letivo e o futuro;
    • Diagnóstico e análise de dados disponíveis sobre o desempenho de cada estudante e da escola como um todo.
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    Educadores precisam construir relações de confiança com seus alunos.Estudantes conectam-se mais fortemente a professores que lhes inspiram admiração, afeto e segurança, especialmente aqueles que são firmes, mas acolhedores e demonstram genuíno compromisso com sua aprendizagem. Por outro lado, ressentem-se quando os docentes não sabem nem os seus nomes, não os cumprimentam e subestimam a sua capacidade. Quanto mais profunda a relação com o educador, mais ele consegue estimular seus alunos a superar seus limites e seguir adiante.

    Como colocar em prática

    Os educadores que têm relações atentas e construtivas com seus estudantes não são necessariamente os mais bonzinhos ou divertidos. Professores que se preocupam verdadeiramente costumam estabelecer dinâmicas próprias de relacionamento com seus alunos, de forma a perceber o que é singular em cada indivíduo, exigir o máximo que cada um pode dar e reconhecer o valor de cada conquista. É preciso ainda ter cuidado para que preferências não interfiram na forma como os estudantes são tratados, a fim de que todos tenham sua parcela de respeito e atenção.

    Exemplos:
    • Criação de combinados da turma e da escola para uma convivência positiva;
    • Observação permanente do comportamento de cada aluno, com identificação de possíveis problemas e intervenção assim que necessário;
    • Conversas de encorajamento com os estudantes sobre dificuldades e avanços;
    • Realização de atividades extraclasse para convivência mais próxima em ambientes mais lúdicos.
  • addPlanejar

    Educadores precisam planejar suas práticas pedagógicas em função do perfil e das necessidades de seus alunos.Gestores e professor devem considerar todas as informações de que dispõem sobre seus estudantes antes de tomar decisões importantes. Alunos que aprendem com mais dificuldade ou em ritmo mais lento, bem como aqueles mais rápidos ou desmotivados devem ser permanentemente considerados, para que não acabem deixados para trás. Programas pré-formatados e sequências didáticas estruturadas funcionam bem como referências quando podem ser readaptados em função da realidade de cada rede, escola ou turma.

    Como colocar em prática

    Os educadores têm sido convidados a atuar como designers da aprendizagem. O designer é aquele profissional que entende a necessidade das pessoas e desenha as melhores soluções para atendê-las. Assim também, gestores e professores precisam entender as especificidades de seus estudantes e planejar suas atividades de forma a contemplá-las, para que cada um garanta o seu direito de aprender e se desenvolver.

    Exemplos:
    • Planejamento de práticas pedagógicas diversificadas, que contemplem diferentes perfis de alunos;
    • Escuta dos estudantes para mapear percepções sobre a dinâmica da escola e das aulas e identificar o que está funcionando e o que pode melhorar;
    • Divisão do tempo de aula em diferentes momentos e atividades para permitir que todos acompanhem;
    • Divisão da turma em subgrupos para realização de atividades diferenciadas, que atendam a necessidades específicas.
  • addEngajar

    Educadores precisam engajar seus alunos para que se sintam comprometidos com o seu processo de aprendizagem e encorajados a continuar se desenvolvendo.O desinteresse dos estudantes é um dos principais motivadores de infrequência, indisciplina, baixo aprendizado, abandono e evasão escolar. Quanto mais envolvidos e atuantes no cotidiano das suas escolas, maior a chance de aprenderem e menor a probabilidade de decidirem parar de estudar. Engajamento significa promover a efetiva participação dos estudantes nas atividades pedagógicas e de gestão, na tomada de decisões, na elaboração de projetos, entre muitas outras possibilidades.

    Como colocar em prática

    A participação pode acontecer de forma superficial, decorativa ou manipulada, com estudantes apenas executando tarefas prescritas por seus educadores. Mas o engajamento acontece de fato quando gestores e professores se dispõem a abrir mão das suas certezas e do seu poder, para compartilhar dúvidas e tomar decisões junto com seus alunos.

    Exemplos:
    • Escuta sistemática dos estudantes, especialmente antes da tomada de decisões que afetam a sua vida escolar;
    • Flexibilização para que alunos possam fazer escolhas em relação ao ambiente da escola, à dinâmica das aulas (como aprender) e a aprendizagens do seu interesse (o que aprender);
    • Abertura de oportunidades para que estudantes sejam coautores de práticas pedagógicas, projetos, eventos, produtos, entre outras criações relacionadas à sua aprendizagem;
    • Abertura de oportunidades para que alunos se corresponsabilizem por decisões e pela busca de soluções para os problemas da sua escola, sempre em colaboração com gestores e professores.
  • addAcompanhar e Avaliar

    Educadores precisam acompanhar e avaliar o desenvolvimento dos seus alunos de forma a assegurar que todos aprendam.Nenhum estudante pode ser deixado de lado, por isso gestores e professores devem estar atentos a como cada estudante evolui ao longo do seu processo educativo. Acompanhar significa estar ao lado para apoiá-los quando as coisas não estiverem caminhando bem, rever estratégias pedagógicas que se mostrarem ineficazes e estimulá-los a dar o melhor de si. Já a avaliação não pode ser vista como instrumento de punição, mas como termômetro que indica se os objetivos estão sendo alcançados e se os direitos de cada um à educação estão sendo garantidos.

    Como colocar em prática

    Grande parte das vezes, as avaliações escolares respondem mais a demandas dos sistemas de ensino do que dos estudantes. Muitas não são capazes de ajudá-los a superar suas dificuldades. Acompanhamento e avaliação centrados nos alunos têm a preocupação de entender como aprender, o que já aprenderam e o que ainda precisam aprender, oferecendo-lhes às condições necessárias para superar adversidades e seguir se desenvolvendo. Por isso, precisam envolvê-los em todo o processo.

    Exemplos:
    • Observação atenta do comportamento e da participação de cada aluno e devolutiva clara e propositiva para que eles próprios possam se corresponsabilizar por seus avanços;
    • Mentoria para apoiar os estudantes a estabelecer objetivos, organizar seus estudos e superar suas dificuldades;
    • Utilização de plataformas tecnológicas ou recursos similares para realizar avaliações em tempo real, a fim de detectar rapidamente as lacunas de aprendizagem e oferecer outras estratégias pedagógicas para aqueles que não conseguem avançar;
    • Utilização de práticas de avaliação diversificadas, que atendam a diferentes perfis e possam verificar o desenvolvimento intelectual, físico, social, emocional e cultural dos estudantes.
Fonte: Porvir, com adaptações