ESTUDAR FORA

Um mundo de opções

Especialistas da área destacam que experiências no exterior abrem um campo amplo de alternativas ao profissional, que além de aprimorar conhecimentos técnicos pode melhorar a fluência no idioma

Estender as qualificações no currículo é o desejo de muitos profissionais. E quando se tem a oportunidade de passar por essa experiência em outro país aumentam as chances de se destacar no mercado no momento da seleção. A Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta) divulgou estudo que mostra que, nos últimos 10 anos, o número de brasileiros que foram ao exterior estudar aumentou em 500%.

O primeiro passo é escolher o país e a instituição onde estudar, e há diversas formas de procurar universidades e programas internacionais. Além da internet, que reúne muita informação sobre o tema, inclusive em sites especializados, as feiras de intercâmbio podem contribuir para reunir informações e fazer a melhor escolha. "O evento ajuda o visitante a esclarecer dúvidas que não são respondidas nos sites. Afinal, é um número muito grande de opções. Quando se tem a oportunidade de conversar com alguém que sabe, é melhor e mais seguro", garante o presidente da EduExpo, Julio Ronchet.

Ele afirma que uma das principais características que se adquire em uma experiência acadêmica internacional é a autoconfiança. "Lá, ela passa por adversidades em um país que não é o de origem. A cultura, as pessoas, os ensinamentos e o idioma são outros, e é preciso lidar com isso", elenca. "Ao retornar, as empresas olham diferente, com toda a certeza. O conhecimento adquirido vai além do profissional, e é isso que os gestores têm buscado. Apostar em estudos no exterior é ter a segurança de uma boa colocação", ressalta.

Após viver uma rotina insana de trabalho por 10 anos, Noêmia Colonna, 42 anos, percebeu que havia chegado o momento de experimentar novos desafios e, principalmente, reciclar o conhecimento. Ela partiu com o filho de 7 anos para a Dinamarca com o objetivo de fazer um mestrado na área de comunicação. Foram dois anos de dedicação, divididos entre a teoria e a prática. Ao voltar para o Brasil, virou professora universitária. "Nunca me imaginei docente. Mas, ao retornar, não tinha mercado para mim", relata. "Foi quando vi que o meu mestrado me abriu um leque de opções, inclusive o de dar aula", conta.

A principal vantagem para quem estuda fora é o leque de oportunidades que se abre. Em tempos de crise financeira, os profissionais precisam cada vez mais buscar diferenciais para conseguirem se manter no mercado"
Marcelo Melo, diretor financeiro da Belta
André Violatti/Esp. CB/D.A. Press
Noêmia Colonna fez uma pós-graduação de dois anos na Dinamarca. A experiência contribuiu para encarar diferentes desafios

Noêmia lista as principais vantagens de estudar no exterior: a primeira é que passou a compreender melhor as diferenças entre as pessoas, o que a fez quebrar diversos estereótipos e aprender a conviver com a diversidade. "Eu estava na Europa, o portal do resto do mundo. Viajei para vários lugares, experimentei culinárias diferentes, conheci povos com outra cultura e outro idioma. Ali, pude ver que a minha vivência não se resumia aos comportamentos do Brasil", analisa. A outra vantagem, é que parou de ter medo de desafios. "Por isso aceitei dar aula. Nunca tinha feito isso, mas aprendi. Voltei aceitando tudo o que me era proposto", constata.

De acordo com dados da Belta, cerca de 220 mil brasileiros realizaram algum tipo de intercâmbio profissional no ano passado. A pesquisa mostra ainda que o principal objetivo dos brasileiros é o de se qualificar para a concorrência no mercado de trabalho.

O diretor financeiro da associação, Marcelo Melo, confirma que o número de pessoas interessadas tem aumentado, principalmente pela competição dentro das empresas. "A principal vantagem para quem estuda fora é o leque de oportunidades que se abre. Em tempos de crise financeira, os profissionais precisam cada vez mais buscar diferenciais para conseguirem se manter no mercado", explica. "No exterior, além de elevar as especificações, a pessoa ganha a capacidade de comunicação em outro idioma, só aí ela já ganhou de muitos outros que se restringem a experiências em empresas do Brasil", completa.

De malas e bolso prontos

Confira dicas de planejamento financeiro para transformar o sonho e estudar fora em realidade. Também é possível conseguir bolsas de estudo

Um dos principais empecilhos para quem já está no mercado de trabalho e quer continuar os estudos é como pagar o curso, principalmente se ele for fora do país. Além das despesas com as aulas, é preciso se preocupar com passagens, hospedagem e com a maneira de se sustentar durante o período. No entanto, mesmo com todas essas variáveis, é possível fazer um planejamento para encaixar todas as despesas no orçamento.

O educador financeiro Rafael Seabra tem duas dicas práticas para quem não sabe como economizar e precisa que sobre dinheiro no fim do mês para investir nos estudos. A primeira é anotar todos os gastos durante 30 dias. "Dessa forma, a pessoa terá um raio-x de onde estão os 'vazamentos' do orçamento. A partir daí, terá uma noção do que dá para cortar", explica. A segunda dica é, assim que entrar a renda, guardar 10% e planejar o resto do mês com os outros 90%. "A lógica é pagar a si mesmo primeiro e depois distribuir para as necessidades e, assim, saber controlar e viver bem sem a quantia que foi tirada", detalha.

Seabra afirma que optar por um financiamento depende da urgência que a pessoa tem em fazer o curso ou as especializações. "Muitas vezes, não compensa, devido às taxas de juros, que são altas. Mas, se a pessoa tem pressa em realizar os estudos, dá para se planejar mensalmente, ainda mais se ela tiver certeza de que, após a conclusão, terá um retorno financeiro imediato", argumenta.

A jornalista Michelle Brito, 24 anos, terminou uma pós-graduação recentemente e, para não perder o ritmo de estudos, quis seguir para o mestrado. Depois de muita pesquisa, constatou que seria difícil conseguir algo em Brasília, devido aos preços elevados e também pela burocracia dos processos seletivos de instituições de ensino superior públicas. Decidiu se candidatar a uma oportunidade de estudo na cidade de Porto, em Portugal.

"Vendi meu carro, economizei o que podia para poder viver lá um tempo com um dinheiro bom. Mas pretendo também arranjar um emprego na cidade. Estou bem animada, vou fazer algo que quero muito e ainda vou ter experiência com outra cultura", relata. Em maio, Michelle chegou a fazer um intercâmbio e um dos países que visitou foi Portugal. Porto, conhecida cidade universitária do país, encantou pela beleza e jovialidade.

André Violatti/Esp. CB/D.A. Press
Michelle Brito vendeu o carro e economizou em tudo o que podia para bancar o mestrado em Portugal

De acordo com pesquisa da Associação das Agências de Intercâmbio (Belta) feita em maio de 2016, metade dos intercambistas brasileiros utilizaram a poupança como principal fonte de renda para viabilizar o investimento em educação internacional. Ao todo, 1.116 brasileiros que estudaram no exterior nos últimos 10 anos participaram do levantamento.

Aproximadamente 40,6% dos entrevistados também citaram os pais como fonte financiadora do intercâmbio e 26,2% relataram terem sido contemplados com uma bolsa de estudos por agências. Em relação ao investimento médio do brasileiro em viagens de intercâmbio, varia de R$ 5 mil até R$ 25 mil. Mais da metade dos estudantes paga até R$ 10 mil num programa de intercâmbio e 33,3% gastam de R$ 11 mil a R$ 25 mil.

Veja onde encontrar bolsas de estudo

Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)
» Tipos de bolsa: doutorado, doutorado-sanduíche (metade no Brasil e metade no exterior), e estágio em pós-doutorado, entre outros
» Site: Clique Aqui

Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF)
» Tipos de bolsa: tem parcerias com Reino Unido, França, Estados Unidos, Rússia e União Europeia. Os editais ficam disponíveis na internet quando lançados.
» Site: Clique Aqui

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)
» Tipos de bolsa: treinamento técnico, iniciação científica, mestrado, doutorado, doutorado direto e pós-doutorado, pesquisa e estágio no exterior
» Site: Clique Aqui

Ministério das Relações Exteriores - Divisão de temas educacionais (DCE)
» Site: Clique Aqui

Fundação Estudar
» Tipos de bolsa: mestrado e doutorado
» Site: Clique Aqui

Santander
» Tipos de bolsa: para universitários nas modalidades de graduação e pós para instituições de ensino nos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, China e Portugal
» Site: Clique Aqui

Fundação Lemann
» Tipos de bolsa: parciais e integrais em algumas das melhores universidades do mundo
» Site: Clique Aqui

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