As infecções hospitalares são uma das principais causas de mortalidade entre os pacientes internados e constituem uma carga social e econômica significativa para o paciente e para o sistema público de saúde de todos os países. Mesmo com os avanços da medicina, controlar a incidência das bactérias que provocam as infecções hospitalares tem sido um dos principais desafios dos órgãos de saúde de todo o mundo.
Em termos globais, a Organização Panamericana de Saúde (Opas) calcula que entre 5% a 10% dos pacientes internados contraem uma ou mais infecções. É um mal que pode ser considerado uma epidemia, principalmente se levarmos em consideração os números locais de cada país.
No caso do Chile, cerca de 70 mil pessoas, por ano, são afetadas pelas IHs, prolongando a internação em 10 dias e gerando um custo de U$ 70 milhões aos cofres públicos. No México, a incidência de infecções hospitalares é até 26 casos a cada 100 pessoas internadas e a mortalidade no país é de 5% (dados referentes a 2001). Já no Brasil, o único estudo sobre o controle da infecção é de 1994, realizado pelo Ministério da Saúde com 90 hospitais de médio e grande porte do sistema público de saúde. A pesquisa constatou que 13% dos pacientes internados são vítimas das infecções hospitalares.
No entanto, mesmo com o cenário não muito otimista, há alternativas para o problema. Os governos começam a perceber que a prevenção é o melhor caminho para reduzir os custos e gerar benefícios para o bem-estar dos pacientes. Nos Estados Unidos, por exemplo, o objetivo, agora, é investir na melhoria da infra-estrutura dos hospitais, principalmente porque a taxa de vítimas fatais por infecção é alta: dos dois milhões de americanos que contraem esse tipo de infecção, por ano, 100 mil morrem. Um gasto em torno de US$ 30 bilhões.
O governo americano, então, passou a investir em pesquisas que descobriram soluções eficazes para minimizar a ocorrência desse tipo de infecção nos centros médicos. Estudos realizados por laboratórios independentes confirmaram, por exemplo, que o cobre possui propriedades bactericidas e pode eliminar, inclusive, as chamadas superbactérias, como a Staphylococcus aureus resistente à Meticilina ; MRSA. Os testes foram submetidos à Environmental Protection Agency ; EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), que certificou o cobre como o primeiro metal antimicrobiano do mundo.
Estudos indicam que as bactérias que se proliferam nos hospitais a cada dia ficam mais resistentes a medicamentos, antibióticos e anti-sépticos, devido a utilização indiscriminada de antibióticos. Certificações como essa trazem novas esperanças, principalmente para a rede de saúde pública dos países da América Latina.
Dr. Guillermo Figueroa é chefe do laboratório de microbiologia e probióticos da Universidade do Chile