postado em 17/05/2008 08:38
Belém - Perícia feita por especialistas da Polícia Federal no trecho da ferrovia de Carajás bloqueado por militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) e pelo Movimento dos Trabalhadores em Mineração (MTM) comprovou que a sabotagem feita nos trilhos na terça-feira passada poderia ter causado um acidente de graves proporções. A PF decidiu instaurar inquérito para apurar os possíveis crimes ocorridos durante o protesto.
Os manifestantes retiraram 1.200 grampos que fixam os trilhos, cortaram cabos de fibra ótica, atearam fogo em pneus sobre os trilhos, danificaram 300 dormentes e comprometeram a sustentação da linha ao usar um macaco hidráulico para levantar os trilhos, o que foi constatado na perícia. Os danos causados à ferrovia poderiam inclusive provocar o descarrilamento do trem da mineradora Vale, que transporta diariamente 1.300 passageiros de São Luís, no Maranhão, até Parauapebas, no Pará.
A Polícia Federal e policiais do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Pará trabalham agora na identificação dos manifestantes responsáveis pelos atos classificados como sabotagem pela direção da Vale. Desde a quarta-feira à noite, quando a ferrovia de Carajás foi finalmente desbloqueada, a PF e a PM do Pará mantêm um efetivo de cem agentes em Parauapebas para coibir de imediato qualquer tentativa de nova interdição da estrada de ferro, nas proximidades do acampamento Palmares II, do MST.
A virulência do ato conjunto do MST e MTM contra a ferrovia de Carajás forçou o governo do Pará a anunciar o rompimento de negociações com os manifestantes garimpeiros, que exigem o cumprimento de promessas feitas pelo governo federal, como o pagamento de resíduos de ouro do garimpo de Serra Pelada não pagos até hoje pela Caixa Econômica Federal. O governo do Pará reafirmou em documento o fim do diálogo com os manifestantes.
;Diante da ocupação da ferrovia de Carajás, o governo do Pará considera que houve rompimento nas negociações por parte dos garimpeiros e vai tomar todas as medidas necessárias para coibir abusos e manter a ordem pública;, diz a nota.