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Correio Braziliense

Agentes penitenciários de AL entram em greve

 


postado em 05/06/2008 19:13 / atualizado em 05/06/2008 19:19

A greve dos agentes penitenciários de Alagoas provocou nesta quinta-feira (5) revolta de parentes de presos, princípio de rebelião em algumas unidades e deixou tenso o clima no sistema prisional do Estado. Familiares dos detentos da Casa de Detenção de Maceió bloquearam a Rodovia BR-104, no trecho em frente ao estabelecimento prisional, prejudicando o trânsito na Avenida Durval de Góes Monteiro, no bairro Tabuleiro do Martins, na capital alagoana. Os parentes dos presos protestavam contra a suspensão das visitas por causa da paralisação dos agentes, que começou ontem e é por tempo indeterminado. Policiais do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar (PM) conseguiram convencer os manifestantes a desbloquearem a pista, obstruída com pneus e pedaços de troncos de árvores. A PM só conseguiu a liberação da BR-104 depois de anunciar que as visitas na prisão serão retomadas amanhã. A Intendência Geral do Sistema Penitenciário (Igesp) informou que adiou a visita porque não houve tempo hábil para deslocar os policiais militares que substituiriam os agentes em greve. Por medida de segurança, a visitação de hoje foi cancelada, o que provocou a revolta dos familiares dos presos. A substituição da guarda deixou irritados os agentes, que ameaçam radicalizar o movimento, caso a PM passe a fazer o serviço deles dentro das cadeias. Eles reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho, além de adicional noturno. Segundo a Igesp, a visita terá início às 9 horas e prosseguirá até as 15 horas, em todas as unidades prisionais da capital: Presídios Cyridião Durval, Baldomero Cavalcanti, Feminino Santa Luzia e Casa de Detenção. Os familiares dos presos, que bloqueavam a rodovia, disseram que atenderam ao apelo da PM, mas que, se a promessa da visita não for cumprida, eles voltam a interditar a BR nas imediações. O anúncio da transferência da visita irritou vários parentes, que alegam que se deslocam do interior do Estado para visitar os presos e que não possuem recursos para voltar amanhã. Agentes Os agentes penitenciários estão revoltados com a atitude da polícia de assumir o trabalho da categoria. Eles chamam de "usurpadores" os policiais militares designados para realizar a segurança durante o período de paralisação. "Se houvesse aquartelamento, os agentes não sairiam às ruas para fazer o papel da polícia; por isso, dizemos que eles estão usurpando a função pública. Amanhã, será necessário um batalhão inteiro para fazer as revistas durante a visita, fazer a comida e a segurança do sistema", provocou o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado, Jarbas de Sousa De acordo com Sousa, são mantidos os serviços de alimentação e segurança interna dos presídios. "É fácil falar que vai substituir o agente penitenciário, o difícil é realizar o nosso trabalho sem conhecer a realidade do sistema. Entramos em greve porque estávamos trabalhando sem as condições mínimas de segurança, colocando a nossa vida em risco, por um salário de fome", protestou. Segundo ele, o salário do agente penitenciário quando foi criado o cargo, era exatamente igual ao da Polícia Civil. Enquanto a remuneração do policial teve dois aumentos, chegando à faixa de R$ 1,9 mil brutos, a do agente encontra-se congelada em R$ 1,2 mil. Sousa disse ainda que as visitas deveriam ser suspensas por falta de condições de segurança nos presídios. Com a suspensão das visitas por causa da greve dos agentes, os presos do Cyridião Durval atearam fogo a colchões e passaram a arremessar objetos nos corredores da unidade. Agentes do Grupo de Ações Penitenciárias (GAP) entraram na unidade e conseguiram conter o princípio de motim. Desde ontem, os presos do Baldomero Cavalcante e da Casa de Detenção não tiveram direito a banho de sol ou visita - foi mantida apenas a comida. Também foram suspensas as escoltas para médicos e depoimentos. Segundo a assessoria da Intendência, 40 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) encontram-se em estado de emergência. O secretário de Defesa Social do Estado (Seds), Paulo Rubim, disse que não aceitaria pressões dos agentes e que, em caso de necessidade, a PM reforçaria a segurança dos presídios. Rubim pediu ainda à Procuradoria-Geral do Estado que ingresse com uma ação pedindo a ilegalidade da greve.

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