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Correio Braziliense

Qualidade do ar de São Paulo está piorando

 


postado em 15/07/2008 17:51 / atualizado em 15/07/2008 17:51

SÃO PAULO - A qualidade do ar na capital e na região metropolitana está piorando nos últimos dias com o tempo seco. Como não chove há 22 dias e não há previsão de precipitação no curto prazo, a dispersão dos poluentes fica mais difícil. Por isso, a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) prevê que se o tempo seco continuar, São Paulo pode ter o inverno mais poluído dos últimos dez anos. Nesta terça-feira (15/07), o Centro de Gerenciamento de Emergências registrou 27% de umidade do ar na cidade, o que significa estado de alerta. O nível considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde é de 60%. As estações da Cetesb que medem a qualidade do ar mostram um cenário que vem piorando. Na segunda, 17 das 23 estações na Grande São Paulo registravam qualidade do ar regular. No domingo foram nove (oito delas com registro de ozônio) e no sábado, três. A quantidade de pontos da cidade onde o ar era considerado 'bom' chegou a 3 na segunda, 9 no domingo e 16 no sábado. Hoje, apenas a estação de Itaquera, na zona leste, tem boa qualidade do ar. Bairros como Congonhas, centro, Santo Amaro, Pinheiros, Ibirapuera, Parelheiros, além dos municípios de Osasco e do ABC paulista apresentam qualidade do ar regular. "No fim de semana tivemos um pouco de vento e umidade. Desde segunda, a poluição voltou a aumentar, com a estabilidade da massa de ar seco. Temos menos ventilação e muitas horas de calmaria. E essas partículas só devem se dispersar com a chegada da chuva", alerta Clarice Aiko Muramoto, gerente do setor de de Meteorologia da companhia. 2007 Segundo relatório da qualidade do ar da Cetesb, o inverno de 2007 esteve entre os mais desfavoráveis à dispersão de poluentes nos últimos anos. O documento aponta que a estação, no ano passado, teve poucos dias de chuva e vento, o que "favoreceu à maior concentração de poluentes e propiciou a formação de ozônio". Este ano, por enquanto, a situação se repete, e pode ser a pior nos últimos dez anos em termos de poluição. "Este ano se iguala bastante ao do ano passado. Provavelmente teremos esse mesma situação, longos períodos de concentração de poluentes, pouco vento e chuva", diz Clarice. Nesses dias mais secos, os paulistanos ficam mais expostos a poluentes como dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio, o gás responsável pelo efeito estufa. Os carros são a principal fonte de poluição na cidade. As pessoas podem apresentar tosse seca e cansaço. Nos hospitais municipais, o atendimento já cresceu 30% por causa de problemas respiratórios. A região metropolitana de São Paulo gasta por ano US$ 1,5 bilhão no tratamento de doenças causadas pela poluição. "Relatório parcial desta terça já mostra quase todas as estações da região metropolitana com qualidade do ar regular. A tendência é que a quantidade de poeira no ar aumente nos próximos dias", diz a gerente. De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, o último registro de precipitação na cidade de São Paulo é do dia 23 de junho, três dias após a chegada do inverno. - Desde o começo da estação praticamente não choveu na capital. Uma massa de ar seco predomina sobre o estado e deve bloquear a passagem de frentes frias pelo menos até o próximo dia 21 - diz Nascimento. Desde o último dia 20, a capital só teve dois dias de chuva fraca. No dia 23, uma segunda-feira, a estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, zona norte de São Paulo, registrou precipitação de apenas 0,9 mm. No dia anterior, 2,9 mm.

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