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Correio Braziliense

Avanço nos estudos com células-tronco

Depois da vitória no STF, equipes brasileiras submetem pesquisas para a aprovação de revistas científicas. Mas recursos de R$ 21 milhões prometidos pelo governo ainda não foram liberados


postado em 01/08/2008 09:06 / atualizado em 01/08/2008 09:25

Determinação e entusiasmo são, até agora, os principais efeitos práticos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que há dois meses, após uma discussão cheia de controvérsias, liberou as pesquisas com células-tronco de embriões humanos. Injeção de recursos na área, não houve. Depois de anunciar investimento de R$ 21 milhões, o Ministério da Saúde ainda não lançou os editais que destinarão verba para as pesquisas. A boa notícia fica por conta de dois estudos realizados por equipes brasileiras, iniciados antes mesmo da definição do STF, que serão submetidos à análise de uma revista especializada. Se forem publicados, os experimentos terão sua validade reconhecida pela comunidade científica internacional. Um dos estudos que serão examinados pela revista, cujo nome é mantido sob sigilo, traz uma nova técnica para cultivo de células-tronco embrionárias. O resultado seria uma quantidade 17% maior desse material genético e com um custo inferior, segundo o cientista Steven Rehen, coordenador da pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo ele, seu grupo substituiu a forma tradicional de cultivo das células-tronco embrionárias, em uma placa de plástico, para outro instrumento, chamado de bioreator. “São recipientes de aproximadamente 80 mililitros onde as células flutuam. Dessa forma, a superfície para que cresçam se ampliou e tivemos uma produção superior à verificada pelo método convencional”, diz. Parece até que se trata de uma técnica simplória. Mas o estudo levou quase dois anos, entre a parte teórica e a experimental, para ser concluído. “É muito complicado controlar o crescimento em laboratório de células-tronco embrionárias, pois elas podem se diferenciar, transformando-se em qualquer tecido. Então, temos que mimetizar, in vitro, as condições fisiológicas ideais para garantir seu desenvolvimento em ritmo normal”, explica Paulo Marinho, doutorando de engenharia química que participou dos estudos. A produção das células-tronco embrionárias em grande escala, de acordo com Rehen, é fundamental para garantir material suficiente de estudo. “Precisamos, em primeiro lugar, entender o funcionamento celular”, justifica. “Ainda vai demorar muito. Temos um longo caminho pela frente até conseguirmos transformar as pesquisas em tratamentos disponíveis à população. Mas acredito que estamos no caminho correto”, afirma Rehen. O otimismo vem de um outro estudo do cientista, que também será submetido à apreciação de uma revista especializada para publicação. Nesse caso, o sigilo é quase total. “A partir do extrato de uma planta do Nordeste, que potencializa o efeito do ácido retinóico, podemos conseguir produzir neurônios humanos”, resume o pesquisador. Interação De acordo com Mayana Zatz, chefe do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo, a principal mudança provocada pela decisão do STF foi a interação com outros grupos de pesquisa. “Estivemos no Reino Unido visitando uma série de laboratórios, vimos que eles acompanharam a votação no Brasil e agora nos olham com muito mais respeito e confiança”, diz Mayana, que realizou a viagem na companhia de dois cientistas brasileiros. Ela conta que o grupo acertou parcerias com pesquisadores britânicos. “Eles virão dar um curso em janeiro aqui. Além disso, ficamos de escrever projetos para trabalharmos juntos em outras frentes.” O governo brasileiro investirá R$ 21 milhões este ano para a constituição da Rede Nacional de Terapia Celular, centro virtual especializado na área. O último incentivo no setor foi em 2005, quando foram destinados R$ 24 milhões às pesquisas com células embrionárias e adultas. Diante da incerteza, os cientistas procuram novas fontes de investimentos. Segundo Mayana, a iniciativa privada da Europa e dos Estados Unidos já demonstram interesse em financiar pesquisas brasileiras. em teste da corda, o camundongo não tratado cai em teste da corda, o camundongo tratado consegue se segurar camundongo não tratado, quando erguido pela cauda, mostra pouca força camundongo tratado, quando erguido pela cauda, tem mais força

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