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Correio Braziliense

Abadía é extraditado para os Estados Unidos

Traficante colombiano preso há um ano no país foi extraditado para os Estados Unidos em operação sigilosa da Polícia Federal. Ele responderá por crimes como homicídios e lavagem de dinheiro


postado em 23/08/2008 09:39 / atualizado em 23/08/2008 09:41

Após 13 meses detido no Presídio Federal de Campo Grande (MS), o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, 45 anos, foi extraditado para os Estados Unidos em uma operação sigilosa. Ele deixou a capital do Mato Grosso do Sul ontem por volta das 4h, em um avião da Polícia Federal (PF) com destino a Manaus. Depois de entregue à polícia norte-americana, Abadía embarcou rumo a um estabelecimento de detenção em Nova York, às 9h. O governo brasileiro determinou oficialmente a expulsão do traficante em 20 de agosto. No Brasil, Abadía foi condenado a 30 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa. A extradição ocorreu duas semanas após a Polícia Federal acusar o traficante de formar uma quadrilha dentro do Presídio Federal de Campo Grande para comandar seqüestros. Segundo apuração da PF, a lista com os nomes das vítimas envolvia várias autoridades, inclusive um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luis Cláudio, 22 anos. O prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), e o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), afirmaram sentir alívio com a saída de Abadía do estado. O governador disse que para maior tranqüilidade da população local falta, ainda, “levar o Beira-Mar para bem longe de Mato Grosso do Sul”. “Quem tem que tomar conta desse homem é o Rio de Janeiro. Eu nunca apoiei a vinda dele, mas como se trata de um presídio federal…”, lamentou Puccinelli. Desde que chegou ao presídio, em agosto do ano passado, Abadía foi motivo de grandes preocupações. Segundo o corregedor da penitenciária, Odilon de Oliveira, existiam informações sobre plano de fuga do colombiano já na primeira semana do traficante no estabelecimento. Houve, inclusive, uma tentativa de resgate do preso em 13 de abril deste ano, quando pelo menos oito homens dispararam tiros de fuzis durante 20 minutos contra o presídio, logo depois de um helicóptero não identificado sobrevoar a área. Vida luxuosa O traficante colombiano foi preso há um ano num condomínio de luxo em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo, onde estava escondido com a mulher. Surpreendido pela polícia enquanto dormia, Abadía tinha, em casa, quase R$ 2 milhões em espécie. Ele confessou que trouxe ao Brasil, quando saiu ilegalmente da Colômbia, cerca de US$ 16 milhões em dinheiro. O departamento americano de combate ao tráfico estima que o traficante tenha movimentado, nos últimos 10 anos, US$ 1 bilhão com a venda de drogas. A fortuna dele é estimada em R$ 1,8 bilhão. O papel de Abadía era gerenciar a distância a distribuição de cocaína e heroína na Europa e nos Estados Unidos. Ele mantinha várias empresas de fachada no Brasil, em nome de laranjas. Comprava e vendia imóveis, carros, lanchas e, além disso, era dono de duas fazendas — uma no Rio Grande do Sul e outra em Minas Gerais. Todos os bens foram leiloados, e o dinheiro ficou à disposição da Justiça. Até para as cuecas do traficante, vendidas a R$ 1 num bazar, houve interessados. Depois que se refugiou no Brasil, Abadía se submeteu a cirurgias plásticas para mudar o rosto. De acordo com a polícia, o colombiano quase não saía de suas mansões. Quando precisava se deslocar, inclusive para fazer as mudanças na face, ele contava com um aparato reforçado de segurança. Além de Abadía, 12 integrantes da rede do tráfico acabaram presos. A polícia cumpriu mandados em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Um dos criminosos mais procurados pelos Estados Unidos, Abadía é apontado como chefe do cartel do Vale do Norte, o maior da Colômbia atualmente. Ligado a mais de 300 assassinatos, a polícia o compara ao lendário traficante Pablo Escobar, líder do cartel de Medellin, também na Colômbia. Segundo o delegado da Polícia Federal Fernando Franschini, tinha a mesma relação de Escobar, que ajudava os campesinos. Tanto é que até hoje, 14 anos após a morte de Escobar, parte da população pobre de Medellin considera o tradicante mais famoso do mundo um herói. Mais de 15 assassinatos O traficante colombiano vai responder, nos Estados Unidos, por assassinatos, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Mesmo que seja condenado à pena de morte, ele terá a sentença comutada para 30 anos de prisão, o máximo permitido pela lei brasileira, como prevê o decreto de extradição expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acatado pelo governo norte-americano. A portaria que autorizou a extradição foi publicada no Diário Oficial da União. O governo brasileiro também determinou a expulsão do traficante, para garantir que ele jamais retorne ao território nacional. Abadía é apontado como um dos maiores traficantes do mundo e um dos líderes do cartel do Vale do Norte, na Colômbia. É acusado de ser o mandante de 15 assassinatos só em solo norte-americano e de estar envolvido em centenas de outros em vários países, principalmente da América Latina. O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, informou que o Brasil receberá parte dos bens apreendidos e do dinheiro que for confiscado do traficante, conforme acordo firmado com os EUA. Os recursos serão integralmente aplicados nas atividades de combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, segundo ele.

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