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Correio Braziliense

Marcela, o centro do debate

 


postado em 27/08/2008 09:36 / atualizado em 27/08/2008 09:37

Símbolo dos grupos contrários ao aborto de fetos anencéfalos, o caso da menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, que viveu 1 ano e oito meses, em Patrocínio Paulista (SP), mesmo tendo recebido diagnóstico de anencefalia, dominou os debates ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso de Marcela foi apontado inúmeras vezes, durante a audiência pública, como uma prova incontestável de que pode haver vida após o parto. Mas as entidades favoráveis ao aborto nessa situação insistiram em dizer que não acreditam que a menina realmente sofria de anencefalia. “Foi um caso de diagnóstico errado”, garante o médico Antonio Fernandes Moron, professor do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que não participou dos debates no STF. Ele explica que o feto anencéfalo é aquele que possui apenas tronco cerebral, importante para funções vitais como respirar, mas não tem o córtex cerebral. Essa última parte, de acordo com o médico, é responsável pelo controle motor, físico, sensitivo, cognitivo, entre outras atividades mais complexas. “Provavelmente, a Marcela tinha microcefalia, caracterizada por presença de partes muito rudimentares de córtex cerebral”, destaca Moron. A opinião do médico é compartilhada pela Sociedade Brasileira de Medicina Fetal, que também já se manifestou publicamente sobre o caso Marcela. No entanto, a mãe da menina, Cacilda Galante Ferreira, que compareceu à audiência no Supremo ontem, acredita que a filha teve anencefalia. “Foi o que a última ressonância magnética apontou. Eu tenho laudo mostrando isso claramente”, destacou. Religiosa e mãe de duas adolescentes, Cacilda veio a Brasília convidada pelo grupo contrário ao aborto para passar a mensagem de que vale a pena ter a criança, mesmo que anencéfala. “Não me arrependo de nada, faria tudo novamente”, diz a dona-de-casa. (RM) Ouça podcast: Cacilda Galante Ferreira, mãe da menina Marcela de Jesus

 

 

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