Jornal Correio Braziliense

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Jornalista de 84 anos é assassinado em casa em Belo Horizonte

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O jornalista e advogado aposentado Mário Rubem dos Santos Viegas, de 84 anos, foi encontrado morto na manhã deste sábado (25/10) em sua casa em Belo Horizonte (MG). Ele estava de joelhos no chão e o restante do corpo sobre a cama, com graves ferimentos na cabeça. Sobre a cama, a polícia encontrou uma pedra de cerca de 5kg, manchada de sangue, que foi retirada da decoração do jardim. A vítima estava vestida, calçando apenas um pé de sapato. O outro foi encontrado jogado na piscina, junto com um aparelho de som, panelas e talheres, dando a entender, segundo a polícia, que uma discussão começou do lado de fora e terminou no quarto. Mário Rubem morava sozinho e dava festas com freqüência, segundo os vizinhos. Na sexta-feira, ele teria reunido vários jovens, saiu de casa deixando os convidados e retornou às 18h em seu Polo. O crime foi descoberto por volta das 9h de ontem, quando uma faxineira chegou para trabalhar e o portão estava fechado e ninguém a atendeu. Ela voltou para a sua casa e avisou uma das ex-mulheres do jornalista ; que foi casado duas vezes e deixou dois filhos ;, e um enteado foi ver o que aconteceu. Ele pulou o muro, com a ajuda do jardineiro, que também esperava do lado de fora, e encontraram a vítima assassinada. Ninguém da família quis falar sobre o fato. A princípio, a polícia descarta a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), pois deram falta apenas de um molho de chaves. Vários objetos de valor e o relógio que a vítima usava foram deixados. Para a polícia entrar, o enteado arrombou o portão principal. Mas, no interior do imóvel, portas e janelas estavam aberta. A cama estava arrumada e não havia indício de relação sexual. Na piscina, havia duas toalhas sobre duas cadeiras. Mário Rubem também era da Associação dos Ornitólogos de Belo Horizonte e criava várias espécies de pássaros. O representante comercial Alberto Castro Neves, de 44, que mora ao lado, conta que Mário Rubem era uma pessoa muito reservada e dava apenas ;bom dia; e ;boa tarde; e não conversava com os vizinhos. ;Eu podia perceber que ele era muito zeloso com o jardim;, disse Alberto. Segundo ele, Mário Rubem também era dono de um pequeno jornal ligado ao meio ambiente. De acordo com a perícia, o corpo da vítima já estava rígido, sem sinais de luta, e o crime pode ter acontecido na noite de sexta-feira. Mas apenas exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) é que vão comprovar o tempo da morte. O crime chocou os moradores da rua, que disseram não ter ouvido nada de suspeito na casa da vítima. ;Só percebi que ontem (sexta-feira) tinha muita gente na casa o dia inteiro. Parecia uma festa e um casal falava mais alto. Também escutei voz de criança;, disse Alberto. De acordo com ele, era costume a vítima sair de casa e deixar seus convidados, como aconteceu na sexta-feira, quando foi visto retornando em seu carro às 18h. O último contato de Mário foi na quinta-feira de manhã, quando conversou com um dos filhos por telefone. Policiais da Delegacia de Homicídios estiveram na casa e parentes e funcionários do jornalista serão ouvidos no inquérito que vai apurar o crime.