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Correio Braziliense

Nayara ajudará na reconstituição

Polícia espera autorização de equipe de psicólogos para que a adolescente participe do trabalho, previsto para ocorrer na sexta-feira. Mãe de Eloá é acusada por ex-marido de ter seqüestrado o filho Ronickson


postado em 28/10/2008 08:32 / atualizado em 28/10/2008 08:32

São Paulo — A polícia de São Paulo deverá fazer ainda nesta semana a reconstituição do crime que matou a adolescente Eloá Pimentel, 15 anos. Para isso, o delegado que coordena as investigações, Luiz Carlos dos Santos, espera uma autorização da equipe de psicólogos que acompanham a sobrevivente do cárcere privado, Nayara Rodrigues Silva, 15. Ontem, policiais negociavam com advogados do seqüestrador Lindemberg Alves, 22, a possibilidade de ele prestar depoimento na Penitenciária de Tremembé II, a 147km da capital paulista, onde está preso. Segundo uma fonte da Polícia Civil, Lindemberg será levado ao apartamento no dia da reconstituição, mas poderá se recusar a colaborar. A mãe de Nayara, Andréa Araújo, disse ontem que só permitirá que a filha colabore se ela não se encontrar com Lindemberg. Nayara disse que não se importa em ajudar, mas pediu para ser mantida longe do assédio da imprensa. Se a polícia receber até quinta-feira todos os laudos das perícias feitas no apartamento e os exames de balística, a reconstituição deverá ocorrer na sexta-feira. Continuam as negociações, que envolvem policiais de São Paulo e de Alagoas, para que o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, se entregue. Ele é acusado de ter participado de uma milícia armada que agia no Nordeste e teria executado o delegado Ricardo Lessa, em 1991. Na semana passada, ele também foi indiciado por uso de documentos falsos, falsidade ideológica e porte ilegal de armas. Os policiais acenam com a possibilidade de prisão domiciliar, caso ele ajude a prender pistoleiros que ainda atuam em Alagoas. “Temos certeza de que ele ainda não saiu do estado de São Paulo e poderemos capturá-lo nos próximos dias”, disse o delegado-geral adjunto da Polícia Civil de Alagoas, José Edson de Medeiros Freitas Júnior. O advogado Ademar Gomes, que defende os interesses de Everaldo, confirmou que as negociações são feitas, mas informou que decidiu interromper qualquer tentativa de acordo por desconfiar que suas duas linhas de telefone celular estejam grampeadas. Uma das condições para entregar seu cliente é a garantia de que ele não permaneça em São Paulo, lugar considerado mais seguro para Everaldo. Gomes criticou, por meio de uma nota, a suspeita de ligação criminosa entre o ex-namorado e o pai de Eloá, revelada por Marcilio Barenco, diretor-geral da polícia de Alagoas. “Há suspeitas concretas de que Lindemberg e ele (Everaldo) faziam parte de um grupo criminoso em Santo André”, disse Barenco ao programa Fantástico, da Rede Globo. O defensor considerou as palavras do delegado “levianas e inconseqüentes”. Ontem, a família de Eloá contratou um escritório de advocacia para defender os interesses da família e, por orientação dos advogados, nenhum parente da garota dará entrevistas sobre o seqüestro. Acusação O primeiro marido da mãe de Eloá, o comerciário Ronaldo Jorge dos Santos, acusou no último fim de semana a ex-mulher de seqüestrar o filho que teve com ele, Ronickson. Santos fez a acusação durante uma entrevista na rádio Gazeta AM, de Maceió. A descoberta do paradeiro do filho, segundo ele, só foi possível por causa da cobertura televisiva do caso. Segundo o comerciário, Ronickson teria sido levado aos 7 anos para São Paulo, quando Ana Cristina fugiu com Everaldo, pai da Eloá. À época, Everaldo estava fugindo da polícia, como ele mesmo admitiu em entrevista à imprensa paulista. Ronaldo disse ter ficado calado todo o tempo com medo de represália por parte de Everaldo, apontado como integrante de um grupo de extermínio. Agora, ele quer se reaproximar do filho.

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