Publicidade

Correio Braziliense

Alimentação das crianças brasileiras tem falhas graves

 


postado em 02/11/2008 11:40 / atualizado em 02/11/2008 11:41

Sobra sódio e faltam fibras, cálcio e vitaminas no prato das crianças com idade pré-escolar. O cardápio até que é adequado, mas os pequenos desprezam alimentos importantes para o desenvolvimento do organismo. O resultado é que meninos e meninas de 2 a 6 anos apresentam carências nutricionais de gente grande. E, o mais preocupante: 11% estão obesos, apesar da pouca idade. No Distrito Federal, o percentual é de 16%. Os dados são do estudo Nutri-Brasil Infância, realizado pelo instituto de pesquisas de uma indústria de alimentos, em parceria com pesquisadores de 12 instituições, incluindo a Universidade de Brasília (UnB). Os nutricionistas avaliaram as refeições de 3.111 crianças de escolas públicas e privadas de nove unidades da Federação, incluindo o DF. Nas creches, além da avaliação do cardápio, a quantidade de alimento servido a cada um dos estudantes era pesada antes e depois da refeição — assim, foi possível constatar os restos deixados no prato. Também foi feito o registro do que eles ingeriam em casa. Tabulados e analisados por um software desenvolvido nos Estados Unidos, os dados mostraram que, embora dentro dos padrões da Organização Mundial de Saúde, a alimentação dos pré-escolares brasileiros apresenta carências graves. Sedentarismo O coordenador nacional da pesquisa, pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, conta que a estatística mais assustadora é a referente ao peso das crianças. “Constatamos um excesso em 27% delas, sendo que 11% já estão obesas e as demais têm sobrepeso. Não esperávamos um percentual tão alto, já parecido com das crianças em idade escolar”, conta. Ele atribui a obesidade infantil a dois fatores, além da influência genética. “Nas últimas décadas, houve um aumento gigantesco do sedentarismo. Esta era uma faixa etária muito ativa, mas, talvez por causa da violência, está cada vez mais trancafiada dentro de casa ou na própria escola. Outro problema é a modificação do padrão alimentar, com mais ingestão de alimentos ricos em gorduras e açúcares”, diz. A nutricionista e chefe de cozinha Amanda Xavier, que dá aulas de culinária para crianças num bufê de Brasília, conta que o consumo de açúcar começa na fase do desmame. “As mães dão leite com açúcar na mamadeira porque acham que fica mais gostoso”, diz. Ela também alerta que muitos pais acham que seus filhos estão magros e acabam oferecendo guloseimas. “Antigamente também era assim, mas a alimentação mudou. Já não se dá uma fruta para a criança, mas uma bolacha recheada.” Nas escolas, frutas, legumes, verduras e hortaliças são oferecidos aos alunos. “Mas o alimento não é aceito. As crianças recusam o que é saudável”, constata a nutricionista e professora da UnB Kênia Baiocchi, que coordenou o estudo Nutri-Brasil Infância em Brasília. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade