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Correio Braziliense

Freiras denunciam crimes ocorridos no Pará

 


postado em 08/11/2008 09:00 / atualizado em 08/11/2008 09:01

As freiras Rebeca Spires e Julia Depweg, integrantes da congregação Notre Dame de Namur e companheiras da missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005 em Anapu, sudeste do Pará, entregaram ontem ao ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, um dossiê com 27 crimes envolvendo conflitos de terra no estado impunes até hoje. Elaborado pelas religiosas com o apoio de várias entidades, como Comissão Pastoral da Terra(CPT) e Comissão de Justiça e Paz, o documento pede o fim da impunidade para reverter o quadro da violência paraense registrado desde a década de 1980. Um dos casos relatados é o de Dorothy. A freira norte-americana naturalizada brasileira foi morta com seis tiros disparados pelo pistoleiro Rayfran dos Santos Neves, auxiliado pelo agricultor Clodoaldo Batista. Ambos foram contratados pelo intermediário Amair Feijoli da Cunha. Os três foram condenados a penas que variam de 17 a 27 anos de prisão. As missionárias estão insatisfeitas com a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e o adiamento do julgamento de Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, acusados de serem os mandantes do crime. Bida chegou a ser condenado a 30 anos em um primeiro julgamento, mas, devido à extensão da pena, teve direito a novo julgamento, no qual acabou absolvido. Taradão nunca foi julgado. A promotoria pública do Pará vai pedir a anulação do segundo julgamento de Bida e a marcação do júri popular para analisar a participação de Taradão no episódio. “Esperamos uma ação efetiva do governo na área, porque a impunidade leva à ampliação da rede de crimes. Queremos justiça no caso da nossa irmã Dorothy. E pedimos justiça para todos os assassinatos no Pará e em toda a Amazônia”, comentou a missionária Rebeca Spires, que chegou ao Brasil há 40 anos junto com Dorothy. Tensão As religiosas disseram ao ministro que existe um clima de tensão em Anapu. Os agricultores realizam hoje uma audiência pública no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, área rural do município onde Dorothy foi morta, com a presença do procurador federal Felício Pontes e o diretor de Assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda. O encontro foi pedido pelos agricultores. Eles temem que os fazendeiros tentem retomar os lotes onde foram implantados assentamentos do PDS. Entre os crimes ainda impunes no Pará e relacionados no dossiê das missionárias, estão casos envolvendo crianças e adolescentes, estudantes e líderes sindicais como João Canuto de Oliveira. O documento traz o relato do fato e suas circunstâncias, e nomes de alguns suspeitos, entre eles policiais e fazendeiros. O ministro Vannuchi prometeu mobilizar setores do governo para ajudar a desengavetar os casos que continuam impunes há vários anos. A freira Rebeca Spires, da congregação Irmãs de Notre Dame de Namur, fala sobre a entrega de um dossiê para Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, com uma relação de 27 assassinatos que permanecem sem solução no Pará. Spires trabalhou por três décadas com a missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005 na cidade de Anapu, Pará. Repórter: Leonel Rocha Ouça o que a freira Rebeca Spires, da congregação Irmãs de Notre Dame de Namur, fala sobre a entrega de um dossiê para Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, com uma relação de 27 assassinatos que permanecem sem solução no Pará. Spires trabalhou por três décadas com a missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005 na cidade de Anapu, Pará

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