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Correio Braziliense

Especialistas defendem mudanças na alimentação infantil

 


postado em 10/11/2008 17:48 / atualizado em 10/11/2008 17:48

Representantes de entidades de defesa do consumidor e médicos reuniram-se nesta segunda-feira (10/11), na capital paulista, para debater problemas como a alta quantidade de gordura, conservantes, sal e açúcar em alimentos industrializados. Organizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e a Pro Teste Associação de Consumidores, o Simpósio Pacto Social para a Alimentação Saudável desde a Infância resultará em um documento com propostas para melhorar a alimentação da população que será encaminhado ao Ministério da Saúde, a representantes da indústria e a entidades ligadas à saúde. Segundo a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci, testes comparativos feitos pela entidade com diversos produtos industrializados mostraram excesso de açúcar, sal e gordura nos alimentos e foram os motivadores do encontro. Ela destacou que a maior preocupação é melhorar a qualidade da alimentação infantil para que os adultos sejam mais saudáveis. A proposta é mudar os hábitos alimentares das crianças e fazer com que os hábitos saudáveis permaneçam para sempre. “Nós sabemos que o adulto depende muito da alimentação da infância e temos percebido que há uma diminuição muito grande desses hábitos saudáveis e de uma boa alimentação, que estás sendo substituída por alimentos industrializados que deixam a desejar”. Dolci apontou a necessidade da participação efetiva da indústria para a melhoria da alimentação, além da realização de campanhas permanentes pelo governo federal para gerar mudanças nos hábitos alimentares do brasileiro. “Nós queremos cada vez mais que as pessoas entendam e percebam um pouco mais o que estão comendo. Essa educação vem do lar, dos pais e responsáveis, nas cantinas e merendas escolares, nos lanches que as crianças levam para a escola. É uma ação conjunta de todos”, afirmou. O presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, ressaltou que as doenças cardiovasculares e o câncer, além do aumento da obesidade, por exemplo, estão diretamente relacionadas a hábitos não saudáveis de alimentação. Ele disse que o aumento da oferta de alimentos mais calóricos, ricos em gorduras, sal e açúcar contribui para a piora dos hábitos alimentares da população. “Infelizmente o tipo de vida que se leva hoje em dia não é compatível com uma boa saúde. Excesso de caloria e diminuição de atividade física são receita para má evolução da saúde”, alertou. Curi ressaltou ainda que é preciso que os pais ofereçam aos filhos alimentos de qualidade e até que evitem os alimentos mais fáceis de serem adquiridos e que são os mais calóricos, doces e altamente palatáveis, gostosos, mas indesejáveis em termos de saúde pública. “Nós temos obrigação de promover o início de um pacto para uma alimentação saudável que passa pelo grupo de toda a sociedade organizada” defendeu. Ele afirmou ainda acreditar que seja necessária uma regulamentação na área de saúde e da indústria alimentícia, principalmente a voltada para a população infantil. Segundo Curi, a indústria tem papel fundamental e deveria perceber o malefício da alimentação não saudável e da necessidade de reeducar a população e deveria espontaneamente fazer essa adesão. E disse ainda que é preciso inibir a propaganda de alimentos nocivos, principalmente em horários em que as crianças fiquem expostas à programação. Curi reforçou que o documento elaborado durante o encontro indicará ações óbvias já conhecidas pelas autoridades e pela indústria. “O que precisamos é que ele [documento] chegue de forma rápida ao governo e que isso se transforme em ações rápidas e efetivas em termos legislativos, fiscalizatórios e educativos”.

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