Desde 1968, quando o então prefeito de São Paulo Faria Lima (carioca, diga-se de passagem) oficializou o desfile de escolas de samba da cidade, os cordões carnavalescos entraram em decadência, perdendo o que o havia de mais popular e histórico no carnaval paulistano. Quase sem verbas do governo e sem patrocínio, grupos tradicionais como Fio de Ouro, Paulistano da Glória e Campos Elísios viraram memória. Era uma tradição que remontava às procissões coloniais do século 18. Hoje, pelas ruas da metrópole, dez grandes blocos e bandas carnavalescas ainda mantêm essa folia acesa.
;A gente ainda faz carnaval por paixão, porque falta grana e sobram empecilhos da Prefeitura;, diz João Carlos do Nascimento, que criou em 1989 com seus vizinhos de rua o Bloco Unidos da Maria Antônia. Um dos mais populares, o grupo atrai cerca de 10 mil pessoas. Nascimento diz que ganha da Prefeitura R$ 6 mil, mas só o carro elétrico custa R$ 4,5 mil. "É uma pena que as pessoas não valorizem mais os blocos de rua, pois no fundo é o que há de mais importante do carnaval paulistano.;
Neste ano, a São Paulo Turismo (SPTuris) destinou cerca de R$ 140 mil à Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo (Abasp), que reúne os grupos tidos como ;oficiais; da cidade. ;É muito pouco. Eles investem milhões de reais no carnaval do Anhembi;, diz Candinho Neto, organizador da Banda do Candinho e presidente da Abasp. ;A Prefeitura precisa olhar com mais cuidado para a gente, para resgatar o carnaval da comunidade, o carnaval livre de São Paulo.;