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Correio Braziliense

Armandinho, Dodô e Osmar arrastam multidão em Salvador

 


postado em 25/02/2009 15:37 / atualizado em 25/02/2009 15:45

“Dança gente bem, dança pau-de-arara, dança gente jovem e velho qua qua qua”, a letra da música que abre passagem para trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar retrata bem o carnaval dos descendentes de Dodô e Osmar, a “dupla elétrica” inventora da guitarra baiana e do trio elétrico, marcas incontestáveis do carnaval de Salvador. O grupo só toca para a “pipoca” e se recusa a formar um bloco e fazer um carnaval com cordas e abadás vendidos. O único abadá é o “abadado” (abada dado), que é trocado por leite em pó e distribuído para entidades carentes de Salvador. Com essa concepção, o que se pôde ver esta madrugada (25) na passagem pelo circuito que leva o nome de Dodô, na Barra-Ondina, orla da cidade, foi muita empolgação e nenhuma briga. “A corda segrega, é por isso que dá briga. Quando não tem corda, não tem briga”, ressalta Aroldo Macêdo, um dos quatro filhos de Osmar Macêdo, que toca guitarra baiana com os outros três irmãos: Armandinho, a estrela do trio, considerado um dos melhores guitarristas do mundo, André, o vocalista do grupo, e Betinho, baixista. A única experiência com a corda que separa os integrantes do bloco dos que não compraram abadás ocorreu em 1996 com o bloco Adrenalina. De tão frustrante, no outro ano, o Adrenalina já deixou de existir e a turma voltou a tocar para a “pipoca”. “Aprendemos que carnaval é para sentir alegria, para brincar, ouvir música. Não é para ganhar dinheiro. Fazer o quê? Fomos educados assim”, ressalta Aroldo. A afirmação faz sentido, tanto que as duas invenções do patriarca da família de músicos e de seu amigo Dodô (a guitarra baiana e do trio elétrico) não foram patenteadas por eles. Em entrevista na madrugada desta quarta-feira (25/02), logo depois de arrastar uma multidão pelo circuito Barra-Ondina, Armandinho disse que seu pai, que era metalúrgico, nunca teve noção da revolução que causaria no carnaval da cidade saindo, em 1950, ao lado do técnico eletrônico Dodô, a bordo da velha fubica, equipada com um amplificador e fazendo uma festa aberta a todos. O trio que desfila atualmente é o chamado Fubicão, uma réplica, em tamanho gigante da velha fubica, que subia a “Montanha” [uma das ladeiras que dá acesso à parte alta de Salvador] e fazia a festa dos foliões. Só nos anos 1980, os trios começaram a crescer e ganharam os caminhões. “Meu pai, quando via, isso já nos anos 1980, 1990, sentado em cima do trio, olhava aquela loucura que era o encontro de trios e dizia: ‘Meu Deus, nunca imaginei que aquela brincadeirinha para tomar uma cachacinha e sair brincando na rua ia dar nisso”, conta Armandinho. Ele comenta que entre as décadas de 60 e 70 em houve uma estagnação dos trios. "Não aumentava nem diminuía. Era o Jacaré, o Tapajós, até voltar o Dodô e Osmar com o Caetanave". Mas hoje, Armandinho considera que o cenário mudou. "São muitos trios, com artistas e estrelas globais. Virou uma coisa de mídia e o público acaba ficando sentadinho. Quem não está no camarote fica nas calçadas, junto ao isopor de cerveja, tomando, porque quer ver todos passarem. Ir atrás de uma 'estrela do carnaval,. Se não tiver o abadá, tem que ir na ‘muvuca’, e aí, tem seus perigos, principalmente para quem não é daqui (de Salvador)”, criticou. Mais elaborada O astral da turma que vai atrás do trio de Armandinho, Dodô e Osmar, na opinião do próprio músico, tem suas razões na própria qualidade da música feita pela turma. “A gente faz uma música mais elaborada, toca clássicos e quem é de briga não está para curtir essas coisas. Tem gente que não entende nada de música, quer ir para o carnaval para ver o sucesso, quer ir para brigar. Com a gente só vai quem realmente curte o som. No carnaval tem muita briga, mas atrás do nosso trio elétrico essa galera não vem. Pode até passar de vez em quando, mas a galera que está aqui só quer curtir mesmo o som, tranqüilo. Não tem corda, é livre”, completou.

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