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Correio Braziliense

Sucesso com R$ 8 por aluno


Instituto Ayrton Senna comemora dados de pesquisa que mostram como municípios engajados em programas da organização obtêm resultados até seis vezes melhores do que os registrados no restante do país


postado em 30/04/2009 07:10 / atualizado em 30/04/2009 10:22

Há 15 anos, o país perdia um de seus maiores ídolos, o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. A tragédia motivou a família a realizar um velho sonho do atleta, o de melhorar a vida das criança brasileiras. Ontem, a dois dias do aniversário de morte de Senna, o instituto que leva seu nome comemorou uma boa notícia. Uma pesquisa coordenada pelo economista Ricardo Paes de Barros mostrou que nos municípios onde foram implementados programas da organização não governamental, os indicadores educacionais chegam a ser seis vezes melhores do que os registrados no restante do país.

 Sílvio, 15 anos, retomou a alegria de estudar(foto: Mano de Oliveira/Divulgação)
Sílvio, 15 anos, retomou a alegria de estudar (foto: Mano de Oliveira/Divulgação)
O estudo foi realizado em 947 municípios que adotam algum dos projetos do instituto (leia quadro) e analisou o desempenho dos estudantes no período entre 1999 e 2005, com base em indicadores do Ministério da Educação. Mesmo antes da divulgação do resultado oficial, o ministro Fernando Haddad anunciou que o MEC vai fazer uma parceria com a ONG que, até então, não aceitava investimentos públicos. “Depois de muita relutância, a Viviane Senna aceitou apoio financeiro da União”, brincou. Ainda não se sabe o valor dos recursos e se eles serão liberados ainda neste ano, pois o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação precisa fazer levantamentos jurídicos sobre o acordo. Com um custo/aluno de R$ 8 ao mês, o Instituto Ayrton Senna beneficiou, desde 1994, 11.640.930 crianças em 1.372 municípios de todas as unidades da Federação. A ONG formula os projetos, que são adotados por prefeituras e governos estaduais. “Os programas são como uma injeção de ‘combustível’ nos municípios parceiros para ajudá-los a acelerar a melhoria do aprendizado em suas redes, alcançando as metas de educação o quanto antes”, explica Viviane Senna, presidente do instituto. Sem dúvidas O combustível permitiu pisar fundo no acelerador. Comparando os municípios participantes com os demais que possuem o mesmo perfil socioeconômico, Ricardo Paes de Barros concluiu que a taxa de aprovação é seis vezes maior nas cidades que adotaram algum dos programas. Para não haver dúvidas de que a melhoria se deu graças à implementação dos projetos, o economista fez 57 mil cruzamentos, com diferentes variáveis. “O impacto não pode ser medido somente pela diferença entre a situação antes e depois, pois várias políticas podem ter sido adotadas pelo município”, explica. Retirando todos os fatores não relacionados aos programas, ele conseguiu chegar aos índices reais. De acordo com Paes de Barros, 60% das mudanças positivas acontecem já nos dois primeiros anos de implementação. Uma das conclusões a que chegou foi que, ao contrário do restante do país, os municípios parceiros do instituto conseguiram reduzir a reprovação em 1,2% por ano. No Brasil, esse é um índice que está estagnado. A diminuição do abandono, que na média é de 0,7%, mais do que duplica nas cidades que adotam os projetos da ONG. Outra conquista foi a queda na distorção idade/série, de 3,8% ao ano. Nos outros municípios, a redução é de 2,2%. Para Sílvio Nascimento Pereira, 15 anos, os programas do instituto são muito mais que estatísticas. O jovem de Monte Alegre, no sertão sergipano, estudante da escola estadual José Inácio de Farias, venceu não só a defasagem escolar, como a primeira fase da Olimpíada Brasileira de Matemática no estado, em 2007. O adolescente, que havia repetido três vezes a terceira série, diz que poderia ter abandonado a escola se não fossem os projetos Se Liga e Acelera. No primeiro, aprendeu a ler. O segundo o ensinou a gostar dos números. “Ôxe, sou inteligente, mas não esperava tanto”, disse, sobre a medalha. “Os programas deram uma chance pra um menino assim pobre como eu. Minha mãe é varredeira da escola e hoje está muito orgulhosa ”, comemora. » Leia a íntegra da pesquisa "Avaliação de impacto dos programas do Instituto Ayrton Senna"
Desempenho campeão A pesquisa comparou os índices de aprovação, reprovação, abandono e distorção idade/série dos alunos da 1ª à 4ª série de 947 municípios parceiros do Instituto Ayrton Senna com a média do restante do país, no período de 1999 a 2005, considerando as mesmas condições socioeconômicas e índice de desenvolvimento humano. Crescimento anual da taxa de aprovação Instituto Ayrton Senna - 2,8% Brasil - 0,5% Redução anual da taxa de reprovação Instituto Ayrton Senna - 1,2% Brasil - 0% Redução anual da taxa de abandono Instituto Ayrton Senna - 1,7% Brasil - 0,7% Redução anual da taxa de distorção idade/série Instituto Ayrton Senna - 3,8% Brasil - 2,2%
Programas do IAS Acelera Brasil voltado para corrigir a distorção idade/série nos anos iniciais do ensino fundamental. Está presente em 876 municípios de todas as unidades da Federação e já beneficiou, desde 1997, 601.424 crianças. Se Liga criado para alfabetizar alunos que já estão em séries avançadas mas ainda não saem ler e escrever. Está presente em 1 mil municípios de todas as unidades da Federação e já beneficiou, desde 1999, 579.032 crianças. Gestão nota 10 tem foco nas quatro esferas da gestão educacional: aprendizagem, ensino, rotina escolar e política educacional. A ideia é capacitar professores e secretarias de Educação, estabelecendo sete metas. Está presente em 2.990 municípios de 22 estados e já beneficiou, desde 2002, 4.871.244 crianças. Circuito campeão capacita, apoia e acompanha profissionais para formação de equipes capazes de cumprir metas, como aumento da taxa de aprovação e melhores performances na Prova Brasil. Está presente em 526 municípios de 22 estados e, desde 2003, já beneficiou 2.266.437 crianças.

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