Thiago Ventura
postado em 05/07/2009 12:16
Continua o mistério sobre quem matou a estudante Aline Silveira Soares. Os quatro réus suspeitos de matar a jovem foram absolvidos pelos jurados na madrugada deste domingo, em Ouro Preto, na Região Central do estado. O julgamento, que começou na última quarta-feira (1º de julho), terminou às 5h15 deste domingo e é o maior da história da cidade.
Aline foi encontrada morta no dia 14 de outubro de 2001 no Cemitério da Igreja Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia, em Ouro Preto, durante a tradicional Festa do Doze. A estudante estava nua e o corpo disposto em formato de cruz, com a marca de 17 facadas. A suspeita é que ela tenha sido morta em um ritual macabro, por influência de um jogo de RPG (Role-playing Game).
O principal argumento que levou o corpo de jurados a absolver os acusados teve por base o artigo 41 do Código do Processo Penal, que prevê que a denúncia sobre o crime deve ter a qualificação dos acusados e esclarecimentos que possam identificá-los. Dessa forma o júri entendeu que a denúncia não dava certeza sobre a participação dos jovens no homicídio e que eles %u201Cnão concorreram para a prática do crime%u201D. A sentença foi lida pela juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva.
Na última fase do julgamento, defesa e acusação expuseram seus argumentos para os jurados nesse sábado. Já na madrugada deste domingo aconteceu réplicas e tréplicas entre promotores e advogados. Ao todo, mais de 25 testemunhas foram ouvidas pelo tribunal.
Inocentados, Camila Dollabela Silveira, de 26 anos, Edson Poloni de Aguiar, de 27, Cassiano Inácio Garcia, também de 27, e Maicon Fernandes Lopes, da mesma idade, comemoram a sentença e fizeram uma oração após o término dos trabalhos.
%u201CAlivio ainda não é, porque a pessoa que fez isso ainda não foi presa. Mas é um alívio para gente, porque a verdade apareceu, graças à Deus. Vamos poder ver nossa famílias e continuar nossas vidas. Mas não queremos que isso fique impune. A pessoa que de verdade que fez esse crime deve aparecer%u201D, afirmou Edson Poloni.
Para a promotora responsável pelo caso, Luiza Helena Trocilo, o processo de investigação teve problemas que beneficiaram a defesa dos acusados. %u201CHouve falhas e muitas pessoas que deveriam ter sido ouvidas na época e não foram. E muitas perícias que deveriam ter sido feitas e não foram. Agora, o que resta é procurar o responsável e saber quem fez e saber por que não fez o que está faltando%u201D, diz.
Por ser uma decisão de primeira instância, ainda cabe recurso.