Brasil

Especialistas acreditam que ataque de tubarões na orla de São Luís é remoto

Alan Jorge
postado em 11/09/2009 09:18
Ataques de tubarão? Essa é a atual e principal dúvida entre os especialistas da capital que tentam esclarecer de onde partiu o ataque, no último domingo (6/9), à menina Ingrid Brasil, 13 anos, após morrer afogada na praia do Araçagi. Para alguns estudiosos, a garota pode ter sido vítima de um grupo de tubarões de pequeno porte. No entanto, para o professor Antônio Carlos Leal de Castro, do Departamento de Oceanografia da Ufma, que integra o quadro de mestres de Ciências Aquáticas e Biologia, a probabilidade de um ataque de tubarões seria baixa. "Primeiro porque as espécies que nós temos aqui habitam na área conhecida pelos pescadores como Canal dos Navios, em alto-mar. E no segundo caso é que somente com um excesso de atrativo, o que não ocorreu", analisou. De acordo com o professor, as espécies mais comuns na região do Maranhão seriam os Junteiro (Carcharhinus porosus) e Figuinho (Rhizoprionodus porosus), todos de pequeno porte. Já de grande porte, os que são naturais das águas maranhenses é o Boca Redonda (Carcharhinus Ceuca), Lixa ou Urumaru (Giseymostoma Cirratum), e Sacuri (Carcharhinus acronatus). Segundo ele, esses tubarões não costumam alterar a tradicional rota deles, ficando em baixo mar, salvo em casos de atração por alimentos, o que ele acredita não ter acontecido na praia do Araçagi, no último domingo, quando a garota foi "sugada" para dentro do mar, como contam as testemunhas. Para Leal, os tubarões do Maranhão sempre se mantiveram dentro da área chamada de Plataforma Interna. "Eles seguem essa linha de ficar dentro da plataforma interna. Quase nunca eles seguem para beira da praia, onde as testemunhas informam que seria o local que a menina estaria. Pelo que eu fiquei sabendo a água não cobria nem o ombro dela", relatou o professor que descarta a possibilidade de ter sido de um tubarão. Já o zoólogo e especialista em ecologia e taxonomia de peixes, o professor Nivaldo Piorski, afirmou que ataques de tubarões naquela região marítima onde foi encontrado o cadáver da jovem não é normal. Ele ainda acrescenta que talvez a morte da menina possa ter acontecido por afogamento. "Ela pode ter morrido por afogamento, e nisso o corpo foi arrastado pelas ondas marítimas, fazendo com que ela se afastasse da praia. Não posso afirmar com precisão se ela foi mordida por tubarões. Ela pode ter sido atacada por peixes, pois, naquela área podem-se encontrar vários tipos de peixes carnívoros", explicou. Aproximação Segundo o pesquisador, geralmente são encontrados tubarões de pequeno porte próximo às praias do litoral. Eles chegam a medir cerca de 50 cm. Já os de grande porte que chegam a medir 1,80m podem ser encontrados na parte de navegação dos navios. "É raro encontrar um tubarão de grande porte próximo ás praias. Por outro lado, o aumento na salinidade devido à redução das descargas dos rios nas baías pode permitir a aproximação de espécies que, na maior parte do ano, preferem áreas mais distantes das praias", explicou. Apenas três espécies, o G. cuvieri, C. leucas e C. limbatus, podem ser consideradas perigosas, pois crescem mais e apresentam maior agressividade.

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