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Correio Braziliense MEIO AMBIENTE

Reciclagem em alta

País reutilizou mais de 12,3 bilhões de latas de alumínio em 2008, o que o mantém na liderança do ranking mundial de reaproveitamento. Índice em relação ao total de recipientes, no entanto, caiu de 96,5% para 91,5%


postado em 01/10/2009 07:00 / atualizado em 01/10/2009 08:31

Latinhas recolhidas em Brasília: mercado de reciclagem deve crescer nos próximos anos(foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 11/6/09 )
Latinhas recolhidas em Brasília: mercado de reciclagem deve crescer nos próximos anos (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 11/6/09 )
Benéfica ao país nos quesitos sociais, econômicos e ambientais, a reciclagem de latas de alumínio realizada no território nacional atingiu, em 2008, a expressiva marca de 91,5% do total de utensílios comercializados para bebidas. O índice, divulgado ontem em Brasília pela Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), coloca o Brasil, pela oitava vez consecutiva, em primeiro lugar no ranking mundial de reaproveitamento desse tipo de recipiente (veja quadro). As duas entidades informaram que foram reutilizadas, no ano passado, 165,8 mil toneladas de sucata, equivalente a 12,3 bilhões de unidades — 33,6 milhões a cada dia ou 1,4 milhão por hora. Estima-se que 184 mil brasileiros sobrevivam dessa atividade.

Mesmo com uma ligeira queda no índice de reciclagem de latas de alumínio, que passou de 96,5% (2007) para 91,5% no ano passado, o Brasil ainda continua no topo da lista. “A redução no índice é explicada por conta crise financeira internacional, iniciada em 2008, e que despencou o preço das commodities(1), o que inclui o alumínio. Já esse ano, tivemos o período prolongado das chuvas no verão, que refletiu na redução de vendas de bebidas, além das novas regras de tributação das cervejas, refrigerantes e sucos, taxação que favoreceu as garrafas de pet, em detrimento das latas”, enumera Renault de Freitas, diretor-executivo da Abralatas.

As cerca de 600 cooperativas existentes no país especializadas em produtos recicláveis, segundo dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), e os 184 mil trabalhadores que vivem da atividade foram os maiores prejudicados pela crise financeira internacional. “O impacto foi grande. Antes, um catador ganhava até três salários mínimos. Hoje, não chega nem a dois”, diz André Vilhena, diretor do Cempre. Ele estima que mais de 800 mil brasileiros conseguem se manter financeiramente da atividade de reciclagem de lata, papel, papelão, cobre, ferro, garrafa pet e de vidro, entre outros itens.

Uma dessas 184 mil pessoas que tiram o sustento da reciclagem de latinhas de alumínio no Brasil é Domingas de Jesus Farias, 49 anos. Mãe de quatro filhos e avó de 11 netos, ela conta que começou catando latas há 12 anos. “Comecei juntando nas ruas. Mas, atualmente, trabalho aqui na cooperativa junto com mais 49 pessoas.”

Na balança internacional
Traduzido para o português, commodities, que é um termo inglês, significa mercadorias. Produzidas em larga escala, essas matérias-primas, principalmente minérios e gêneros agrícolas, são negociadas em bolsas de mercadorias, portanto, seus valores são definidos pelo mercado internacional.


Rio e São Paulo iniciaram projeto
A catadora Domingas perdeu dinheiro com a crise: lucro caiu pela metade(foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press )
A catadora Domingas perdeu dinheiro com a crise: lucro caiu pela metade (foto: Paulo de Araújo/CB/D.A Press )
Antes da crise internacional, a catadora Domingas de Jesus Farias conseguia vender um quilo de latas de alumínio por até R$ 5. “Hoje, esse valor não passa de R$ 2,70. Se antes eu ganhava até R$ 600, depois da crise, nunca consegui mais de R$ 300 por mês”, relata. Domingas bate ponto todos os dias na cooperativa 100 Dimensão, localizada no Riacho Fundo II, região administrativa próxima a Brasília. O local, que já chegou a contar com a colaboração de 200 pessoas, reúne, em média, 1,1 toneladas a cada mês de latas.

Com a reciclagem de latas de alumínio, o país economiza 0,5% do total consumido, ou 2.354 GWh/ano. Esse percentual de energia corresponde à demanda anual de uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes. “É como se tivéssemos ganhado a demanda residencial de todo o Ceará (2.343 GWh) ou do consumo total de Campinas (SP), que é de 2.566GWh”, compara Henio De Nicola, coordenador da Comissão de Reciclagem da ABAL.

O mercado de latas de alumínio no país promete crescer nos próximos anos, segundo previsões das duas entidades que compilam o índice de reciclagem dos utensílios. “A participação das latinhas no mercado de embalagens para cervejas é de 33% no Brasil, enquanto na Inglaterra chega a 69%, e a 53% nos Estados Unidos. O país também leva desvantagem nas embalagens de refrigerantes: apenas 8% desses produtos são comercializados em latas. Já nos EUA esse número sobe para 56%”, explica Henio De Nicola.

Idealizador do primeiro programa de reciclagem permanente do país, José Roberto Giosa lembra que as primeiras latas foram coletadas em supermercados do Rio de Janeiro em abril de 1991. Em novembro do mesmo ano, São Paulo também já participava da iniciativa. Brasília se integrou ao projeto em 1993. “No primeiro mês, recebemos 8 mil latinhas no Rio. Número que saltou para 150 no terceiro mês. De lá para cá, só vem crescendo”, diz. À época, as redes Pão de Açúcar e Paes Mendonça pagavam até R$ 0,30 em vales compras a cada lata de alumínio entregue. (RC)

SERVIÇO
Quem quiser ajudar os cooperados pode entrar em contato pelos telefones 8436-3479 e 8527-3592.


Rio e São Paulo iniciaram projeto
Antes da crise internacional, a catadora Domingas de Jesus Farias conseguia vender um quilo de latas de alumínio por até R$ 5. “Hoje, esse valor não passa de R$ 2,70. Se antes eu ganhava até R$ 600, depois da crise, nunca consegui mais de R$ 300 por mês”, relata. Domingas bate ponto todos os dias na cooperativa 100 Dimensão, localizada no Riacho Fundo II, região administrativa próxima a Brasília. O local, que já chegou a contar com a colaboração de 200 pessoas, reúne, em média, 1,1 toneladas a cada mês de latas.

Com a reciclagem de latas de alumínio, o país economiza 0,5% do total consumido, ou 2.354 GWh/ano. Esse percentual de energia corresponde à demanda anual de uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes. “É como se tivéssemos ganhado a demanda residencial de todo o Ceará (2.343 GWh) ou do consumo total de Campinas (SP), que é de 2.566GWh”, compara Henio De Nicola, coordenador da Comissão de Reciclagem da ABAL.

O mercado de latas de alumínio no país promete crescer nos próximos anos, segundo previsões das duas entidades que compilam o índice de reciclagem dos utensílios. “A participação das latinhas no mercado de embalagens para cervejas é de 33% no Brasil, enquanto na Inglaterra chega a 69%, e a 53% nos Estados Unidos. O país também leva desvantagem nas embalagens de refrigerantes: apenas 8% desses produtos são comercializados em latas. Já nos EUA esse número sobe para 56%”, explica Henio De Nicola.

Idealizador do primeiro programa de reciclagem permanente do país, José Roberto Giosa lembra que as primeiras latas foram coletadas em supermercados do Rio de Janeiro em abril de 1991. Em novembro do mesmo ano, São Paulo também já participava da iniciativa. Brasília se integrou ao projeto em 1993. “No primeiro mês, recebemos 8 mil latinhas no Rio. Número que saltou para 150 no terceiro mês. De lá para cá, só vem crescendo”, diz. À época, as redes Pão de Açúcar e Paes Mendonça pagavam até R$ 0,30 em vales compras a cada lata de alumínio entregue. (RC)

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Quem quiser ajudar os cooperados pode entrar em contato pelos telefones 8436-3479 e 8527-3592

 

 

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