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Correio Braziliense

Battisti diz que é troféu para Berlusconi


postado em 12/11/2009 09:06 / atualizado em 12/11/2009 09:14

O italiano Cesare Battisti, que terá o futuro decidido nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), jura inocência. E diz que sua extradição seria apenas um triunfo político para o governo de Silvio Berlusconi. “Eu represento hoje o troféu para uma Itália abalada por escândalos e forte crise econômica.” Acusado de quatro homicídios cometidos na década de 1970, quando integrava a organização extremista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), o ex-ativista de esquerda alega que não há a “mínima prova técnica” contra ele. E atribui à “histeria” de adversários, agora no poder, o empenho para conseguir que volte à Itália para cumprir pena. Ele foi condenado à revelia pela Justiça italiana à prisão perpétua.

Preso em Brasília desde 2007, Battisti não vai assistir à sessão do Supremo. No máximo, acompanhará a transmissão pelo rádio. Nos dias anteriores ao julgamento, recebeu poucas visitas, entre elas, a das filhas. Sua defesa nega que tenha feito greve de fome. Mas a ansiedade é grande — o italiano tem medo de morrer numa cadeia italiana. E admite: está deprimido. “O meu estado de ânimo não poderia ser outro”, diz.

O ex-ativista aceitou o pedido do Correio e, por meio dos advogados, respondeu a algumas perguntas de próprio punho. Apesar de estar em situação desfavorável até agora, já que há quatro votos a favor da extradição e três contrários, Battisti se mostra confiante. Ele foi considerado refugiado político pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Mas a decisão — principal entrave ao pedido de extradição — foi derrubada pelo plenário. O governo italiano diz que se trata de crime comum.

Expectativa

Iniciada em setembro, a discussão no Supremo será retomada hoje com a posição do ministro Marco Aurélio Mello, que pediu vista do processo. Além dele, falta colher o voto do presidente Gilmar Mendes. A grande dúvida é sobre a participação do novato Dias Toffoli, que poderá ser decisiva. A expectativa é que Marco Aurélio se posicione contra a extradição, empatando o placar em 4 x 4. Caberia a Mendes o desempate.

A defesa do italiano diz que os crimes já prescreveram e apela para argumentos técnicos e humanitários para que o presidente do STF não vote — o que dificilmente ocorrerá. Se ele votar, o pedido é que o voto de minerva, em caso de empate, favoreça o acusado.

Já o governo da Itália questiona a participação do ex-advogado-geral da União no julgamento. Dias Toffoli pode se livrar da ingrata tarefa de ter que se declarar impedido ou não. Os próprios colegas poderão bater o martelo sobre isso e solucionar o impasse.

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