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Correio Braziliense

Entrevista: Cesare Battisti

A poucas horas de ter o futuro decidido pelo STF, o ex-ativista de esquerda fala ao Correio que não há provas contra ele


postado em 12/11/2009 09:11 / atualizado em 12/11/2009 09:15

(foto: AP Photo/Eraldo Peres)
(foto: AP Photo/Eraldo Peres)
Qual a sua expectativa em relação ao julgamento?
Eu não posso acreditar que, no fundo, a verdade não prevaleça. Acho o STF uma instituição séria e responsável. Estou certo que meu caso será examinado com justiça.

O senhor espera que o refúgio concedido pelo Ministério da Justiça seja mantido pelo STF?
O refúgio foi concedido pelo ministro da Justiça (Tarso Genro), autoridade competente para outorgá-lo. Está bem fundamentado.

O senhor se considera inocente, mas foi julgado à revelia. Por que não se defendeu à época?
Eu não me “considero” inocente, eu sou inocente. Não existe, nos autos, a mínima prova técnica contra mim, além do ouvir-se dizer, que tanta anima a imprensa. Na época desse processo, estava refugiado no México. Não estava informado da existência desse segundo processo. Mesmo que soubesse, o clima de tensão, as leis e a caça às bruxas, nada era convidativo para apresentar-me.

A que o senhor atribuiu o empenho do governo italiano na defesa de sua extradição?
Os nossos adversários políticos da época ocupam hoje cargos governamentais. Temos visto as reações histéricas de alguns deles. Represento hoje o troféu para uma Itália abalada por escândalos e forte crise econômica.

Há relatos de que o senhor estaria deprimido. É verdade?
Depois de mais de 32 meses de reclusão, me parece normal sentir algum problema psíquico.

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