Jornal Correio Braziliense

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Sobe para três os municípios em situação de emergência por causa da chuva no Rio

Subiu para três os municípios em estado de emergência por causa das fortes chuvas no Rio de Janeiro. Duque de Caxias e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e Três Rios, no Vale do Paraíba estão inundadas. O número de pessoas afetadas pelos temporais chegou a 2.885, segundo dados divulgados no início da noite desta sexta-feira (13/11) pela Defesa Civil Estadual. São 2.323 desalojados, que estão em casa de parentes ou amigos, e 562 desabrigados, que se encontram em abrigos públicos. Em Três Rios, o problema foi uma tromba d´água que atingiu a cidade, deixando 1.500 moradores desalojados e 40 desabrigados. A chuvarada começou na noite de ontem (12/11) e pegou as pessoas de surpresa. Em Duque de Caxias, as chuvas deixaram 150 desalojados e 298 desabrigados. Em Belford Roxo, onde o total de desalojados é de 185 e o de desabrigados de 205, foi inaugurado, na tarde hoje, um hospital de campanha no bairro Lote 15. O objetivo é atender e vacinar os moradores contra doenças típicas de inundações, como tétano, hepatite e raiva. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Cortes, foi conhecer o hospital e disse que entre os motivos das inundações está a falta histórica de investimentos em infraestrutura na região. "São anos de falta de investimento na região. E onde estamos fazendo investimentos do governo federal e do estado em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), não estamos tendo esse problema, que está localizado onde essas ações ainda não foram implementadas", desculpou-se Cortes. O hospital de campanha é do mesmo modelo usado pelo exército dos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão. É equipado com ar-condicionado e tem capacidade para atender até 500 pessoas por dia. Na fila da vacina, a aposentada Edite Faria contava o seu drama. "O quintal ainda está cheio d'água. Encheu tudo, chegou até a beirada da cama, perdi colchão, guarda-roupa, quase tudo. Aí eu vim para tomar injeção. Porque tá passando peixe, sanguessuga, rato e gambá", relatou ela que mora com o marido e duas netas. Na escola ao lado, cerca de 500 pessoas que não puderam voltar para casa continuam alojadas. Nas salas de aula, dormem em colchões e se alimentam ali mesmo. Alguns trouxeram toda a família, como a estudante Monique Conceição, que lamentou a perda de quase tudo na casa onde mora com13 pessoas. "Acabou tudo, perdemos os móveis, a água estava pela cintura. Muita gente ficou sem nada. Perdemos colchão, armário, as compras foram embora, sapato, roupas, televisão, fogão, foi tudo", contou Monique. Segundo o Corpo de Bombeiros, os moradores devem prestar atenção às chuvas fortes. Se a água começar a invadir o imóvel, o melhor a fazer é sair de casa levando principalmente remédios e documentos. Se não for possível, o recomendado é pedir resgate, pelo telefone 193.