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Correio Braziliense

Wagner Moura estrela comerciais do Enem

Propaganda pretende dissipar as repercussões negativas após suspeitas de fraudes


postado em 17/11/2009 09:12

De carona na meteórica carreira do ator Wagner Moura, 33 anos, o Ministério da Educação (MEC) aproveita a credibilidade do artista para tentar limpar a imagem da pasta, arranhada recentemente com o vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e das suspeitas de violação dos cadernos do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade). Moura protagoniza um comercial sobre o Enem ao custo de R$ 300 mil — incluindo o cachê e os gastos com produção. Especialistas ouvidos pelo Correio se dividem quanto ao caráter informativo do vídeo.

Professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Luiz Martins diz que o tratamento da campanha do MEC é similar ao aplicado no mercado. “Está sendo dado à coisa pública um tratamento de marketing”, destaca. Na avaliação do docente, o comercial estrelado por um ator conhecido do grande público deve vir acompanhado de outras medidas. “Não pode se resumir à chamada participação mágica por aproximação”, diz, ao citar o escritor, crítico e professor de semiótica italiano Umberto Eco.

Contrário à opinião de Martins, Rafael Porto, professor de marketing da Faculdade de Administração da UnB, afirma que o comercial “pareceu bem informativo” ao destacar as novas datas do Enem. Apesar de aprovar o conteúdo do vídeo, Porto faz uma ressalva: “Colocaram um ator conhecido para chamar mais a atenção. Se fosse qualquer um, não teria o mesmo efeito.”

A exibição da propaganda — ao contrário de sua produção —, que será veiculada em 31 emissoras de televisão e outras 1.302 de rádio, não custará um centavo aos cofres públicos, segundo o MEC. De acordo com a pasta, os filmes e os spots serão transmitidos nas emissoras conveniadas com o MEC e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e em TVs parceiras e públicas.

“Evolução”
O primeiro vídeo — de um total de três — protagonizado por Wagner Moura está em exibição desde 12 de novembro e tem como tema a nova data do Enem, marcado para 5 e 6 de dezembro. Para tentar minimizar os prejuízos causados com o vazamento recente das provas do exame (veja memória), Moura encerra o primeiro VT afirmando o seguinte: “Enem, mais que uma avaliação, uma evolução para o ensino médio”. Já o segundo trabalho começa a ser veiculado no dia 18 e vai tratar sobre as novidades do exame. O último da série será transmitido do dia 25 até 4 de dezembro, véspera das provas. Uma cláusula do contrato do ator baiano não permite a divulgação do valor do cachê.

Memória

Histórico de problemas

As 180 questões do Enem, que deveriam ser aplicadas em 3 e 4 de outubro, foram remarcadas para 5 e 6 de dezembro. O cancelamento das datas ocorreu depois que Felipe Pradella, 32 anos, tentou vender um caderno das provas por R$ 500 mil a uma repórter em 30 de setembro. Em 1º de outubro, o Ministério da Educação (MEC) cancelou as provas.

Além do vazamento das provas do Enem, o MEC também teve problemas com o Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade). Em 20 de outubro, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) disseram ter encontrado 52 caixas com provas sem lacre de segurança do Enade em Três Rios (RJ). Poucos dias depois, o advogado e professor de direito da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc) Bruno Cadé entrou em contato com a Polícia Federal para relatar a abertura de uma caixa contendo provas do Enade na unidade de distribuição dos Correios em Campina Grande (foto), na Paraíba.

Já em 8 de novembro, dia da aplicação do Enade, o exame foi marcado pela desorganização e pela falta de segurança. A Consulplan, empresa contratada para viabilizar a avaliação, enviou o endereço errado para centenas de estudantes de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Petrolina (PE). Além disso, um estudante da UnB conseguiu sair da sala com o caderno de provas antes do horário permitido.

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