Luciane Evans
postado em 03/03/2010 09:21
Mais uma tentativa de salvar a Lagoa da Pampulha, na região de mesmo nome, está na mesa do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). O projeto foi apresentado no início de fevereiro e está em fase de análise pelos técnicos da prefeitura. A proposta leva para o espelho d;água seis embarcações de última geração capazes de limpar a água com ozônio e oxigênio. O custo é de cerca de R$ 50 milhões. As embarcações seriam capazes de, em três anos, despoluir a lagoa e deixá-la em condições dignas para receber os visitantes internacionais da Copa das Confederações, que antecede, em um ano, a Copa do Mundo.A nova aposta pretende acelerar o lento processo de despoluição da represa, que há décadas sofre com o despejo de esgoto. O método de despoluição foi desenvolvido pela Universidade da Flórida e testado nos Estados Unidos pela empresa norte-americana Water Management Technologies Inc, proprietária da patente da tecnologia Oxy-PlusTM e única fabricante das embarcações Scavenger 2000.
;A lagoa será o diferencial de BH para a Copa do Mundo. A ideia é dar vida a essa atração que receberá os olhos do mundo inteiro;, defende o deputado Neider Moreira (PPS), que levou a proposta e os representantes da empresa americana ao prefeito Marcio Lacerda.
Um dos representantes e proprietário da Petroclean Ambiental, Osvaldo de Oliveira Aleixo Rodrigues, garante que este seria o melhor remédio para uma lagoa doente. ;A tecnologia é a utilização do ozônio em estações móveis montadas em embarcações;, define Osvaldo, explicando que em cada um dos seis barcos haverá um conjunto de equipamentos para despoluição. ;A capacidade máxima de operação é de 7,2 metros cúbicos por segundo. Por hora, vamos movimentar e renovar cerca de 25 milhões de metros cúbicos de água da lagoa;, explica.
De acordo com ele, o equipamento será capaz de tratar o que entra e o que já está no reservatório, reduzindo nutrientes e metais e eliminando coliformes fecais e odores. Em cada barco, haverá um sistema de sucção. ;Ele puxará a água e fará o tratamento com ozônio. Em seguida, a água limpa volta para o ambiente, com uma injeção de oxigênio. Para o lixo na encosta há uma espécie de canhão de alta pressão na parte lateral do barco que lava e direciona a sujeira para a proa, onde é recolhida;, diz.
Cada embarcação tem 11m de comprimento, 4m de largura e 3m de altura. Nos próximos dias, técnicos da prefeitura irão a Miami conhecer o funcionamento das embarcações. ;O prefeito nos pediu mais detalhes. Vamos entregar um estudo completo e torcer para que seja aprovado, pois Belo Horizonte não aguenta mais ver uma lagoa tão bela como a da Pampulha em estado tão deprimente;, diz Osvaldo.
Córregos
De acordo com o representante da empresa americana no Brasil, Wagner Miranda Colen, a solução depende também do tratamento da Copasa nos córregos Sarandi e Ressaca, principais poluidores da lagoa. ;Eles são responsáveis por nada menos do que 86% da poluição. Por isso, nesses três anos vamos deixar dois barcos por 24 horas na desembocadura dos córregos, mas a Copasa precisa correr com a obra para diminuir o esgoto lançado neles. As embarcações ficarão até a companhia concluir as intervenções. Afinal, estaremos remediando um passivo de 20 anos, como um plano de emergência para a Copa do Mundo.;
A Copasa informou que vem executando várias obras para contribuir com despoluição da lagoa. Estão sendo implantados cerca de 20 quilômetros de redes coletoras e de oito quilômetros de redes interceptoras na margem esquerda da lagoa, próximo ao Jardim Zoológico, no Bairro Braúnas, na capital, e nos bairros Xangrilá, Vale das Amendoeiras e Tijuca, em Contagem. A previsão para a conclusão destas obras, orçadas em R$ 16 milhões, é maio de 2011. Também está prevista a implantação de interceptores em várias regiões de Contagem.