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Chacina de Urso Branco: defesa tenta desqualificar denúncia contra dois acusados

No segundo dia de julgamento, os advogados de dois dos 16 acusados de participar da chacina que deixou 27 mortos no presídio Urso Branco, em Rondônia, disseram nesta quinta-feira (6) no Tribunal do Júri de Porto Velho que os depoimentos das testemunhas e as provas periciais não provam o envolvimento dos réus. Durante a fase de interrogatório, Michel Alves das Chagas, o Chamilé, e Anselmo Garcia de Almeida, conhecido como Fininho, negaram participação nos crimes. Os dois são os primeiros de uma lista de 16 réus a enfrentar o Júri Popular, todos detentos do presídio na época da chacina.

Para rebater a defesa, os promotores chamaram a atenção dos jurados para as fichas criminais dos acusados. Chamilé já foi condenado a 37 anos de prisão por homicídio, latrocínio e assalto. Fininho tem 14 condenações por assalto e duas por porte ilegal de armas.

A chacina de Urso Branco é considerada o maior assassinato coletivo de presos do país depois da tragédia da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992, quando 111 detentos foram mortos após a invasão da Polícia Militar. O fato ficou conhecido como ;Massacre do Carandiru;. As mortes em Urso Branco ganharam repercussão internacional pela brutalidade. Na rebelião, ocorrida em 2002, 27 presos foram mortos de forma cruel pelos próprios companheiros do presídio. 5 foram decapitados.

Até o fim deste mês estão previstos os julgamentos dos demais acusados. Três ex-diretores da penitenciária também foram acusados de responsabilidade nas mortes, mas aguardam julgamento de recursos.

Por causa das denúncias de violação dos direitos humanos no principal presídio de Rondônia, observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e uma comissão especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) acompanham o julgamento.