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Correio Braziliense

Clínica onde duas mulheres morreram após endoscopia pode ser interditada em Joaçaba

Inquérito policial sobre o caso deve ser concluído em 30 dias


postado em 15/05/2010 19:30

A Vigilância Sanitária Regional de Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina, ainda não decidiu se interdita a Conci Clínica Médica, unidade de saúde particular onde duas mulheres morreram na tarde dessa sexta-feira (14/5), após passarem por uma endoscopia. Até o início da noite deste sábado (15/5), a clínica não havia sido lacrada.

A fiscal da Vigilância Sanitária Regional de Joaçaba, Kátia Valentini, informou que, nesta tarde, solicitou ao delegado responsável pelo caso uma amostra dos medicamentos e itens recolhidos na clínica.

Além de serem analisados pelos técnicos do Instituto Geral de Perícias (IGP), os produtos também passarão por análises especificas da Vigilância. O consultório do gastroenterologista Denis Conci Braga, médico responsável pelos exames, estava em dia com os alvarás sanitários exigidos.

Vítimas
Nesta tarde, foram enterradas as duas vítimas. Por volta das 15h30, em Iomerê, no Meio-Oeste, a agricultora Santa Pagliarini Sipp, 60 anos, foi enterrada no cemitério da comunidade de Bom Sucesso. Em Joaçaba, às 16h, a dona de casa Maria Rosa de Almeida dos Santos, 52 anos, foi enterrada no Cemitério Municipal Frei Edgar.

A estudante do 2º ano do Ensino Médio da Escola Celso Ramos, de Joaçaba, Iara Penteado, 15 anos, permanece internada em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Terezinha (HUST), em Joaçaba. Por volta das 14h deste sábado, os pais de Iara fizeram a segunda visita à filha. O encontro não durou mais do que meia hora.

"Fiquei muito emocionada ao ver minha menina. Tenho esperança que ela volte à vida normal, apesar do estado dela ser muito grave", disse a mãe, Márcia Gonçalves.

A família da adolescente fez plantão em frente ao HUST. Tios, primos e amigos queriam acompanhar de perto o quadro de saúde da jovem.

Melhora
Quatro dos oito pacientes que passaram mal após realizarem o exame na sexta-feira apresentaram melhoras no decorrer deste sábado.

O morador de Salto Veloso, Fernando Godinho, 27 anos, saiu da UTI e foi encaminhado a um dos leitos do HUST. Vivian Deni Toudo, Elza Gemelli, 63 anos, Lorizete Rodrigues, 43 anos, moradoras de Iomerê, permanecem internadas no Hospital Divino Salvador, em Videira.

Elas estão na enfermaria, recebem monitoramento constante do corpo clínico e não correm mais risco de morte. Marli Togni Pieri, 36 anos, de Catanduvas, que foi internada por precaução, após sentir náuseas e tontura, foi medicada e liberada na manhã deste sábado.

Investigação
A Polícia trabalha com uma nova linha de investigação. A hipótese das mortes terem ocorrido por conta da anestesia utilizada, o medicamento Conpaz Diazepan, ainda não foi descartada, mas a tese que a xilocaína utilizada na mucosa, boca e aparelho endoscópico estivesse vencida ou mal condicionada ganha força.

"Só saberemos a causa das mortes daqui a uns 30 dias, após o término dos laudos da perícia e análise bioquímica", afirmou Pretto.

Na próxima semana, o delegado ouvirá as vítimas que já melhoraram e deverá tomar um novo depoimento do gastroenterologista. A Polícia quer saber se a clínica tinha equipamentos necessários para a realização das endoscopias.

Além disso, uma das dúvidas é se o médico Denis Conci Braga tinha equipamentos, como balão de oxigênio, para reverter complicações que os pacientes pudessem apresentar durante a realização dos exames.

O inquérito policial deve ser concluído em 30 dias. O médico foi preso em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar), prestou depoimento, pagou fiança de R$ 2550 e responderá o processo em liberdade.

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