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Correio Braziliense

Reflexo distorcido e frustração com o corpo

Estudo com 2,4 mil universitárias revela que 64% delas estão insatisfeitas com o próprio físico, embora índice de massa corporal de 1,3 mil das entrevistadas esteja dentro dos padrões considerados ideais por especialistas


postado em 12/06/2010 07:00

Sabe aquela velha história de se olhar no espelho e sempre achar que tem algo a melhorar, por mais que os outros digam que você esteja ótima? Essa insatisfação está presente na vida de 64,4% das universitárias do país, segundo pesquisa de pós-doutorado da nutricionista Marle Alvarenga, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Foram entrevistadas 2.402 estudantes do primeiro e do segundo ano dos cursos de enfermagem, fonoaudiologia, fisioterapia, farmácia e biomedicina de 37 instituições de ensino das cinco regiões do país, incluindo o Distrito Federal.

O estudo revelou que a maior parte das jovens deseja ser mais magra em algum grau. Para 54,9%, o corpo saudável deve ser menor (mais fino) do que o delas, demonstrando que a magreza vale mais do que a saúde. Isso serve até para aquelas que estão no peso ideal, com índice de massa corporal (IMC) — peso dividido por altura ao quadrado — entre 18,5 e 25, que correspondem a 75% das entrevistadas. “É uma evidência de que a satisfação não é relacionada à pessoa realmente ter excesso de peso”, observa Marle Alvarenga. A especialista destaca que uma das explicações diz respeito aos ideais de beleza e magreza impostos à sociedade, que são muito fora do normal. “As estudantes mais influenciadas pela mídia, que diz que o bonito é ser muito magro, são as mais insatisfeitas.”

“Magrinha”
As estudantes do 5º semestre de ciências sociais da Universidade de Brasília (UnB) Raíssa Santos, 20 anos, e Mayra Rivera, 19, são prova de que a busca por um corpo melhor não está apenas entre as universitárias da área de saúde. As duas estão no peso ideal, com IMC igual a 20 e 20,32, respectivamente, mas querem ficar mais perto do exigido pela sociedade.

“Considero-me insatisfeita mais por eu ser magrinha e não ter peitão e bunda grande. Gostaria de ter mais peito, bunda e as coxas grossas”, confessa Raíssa, que está matriculada na academia desde o início do ano, mas ainda não tem o corpo desejado. A colega Mayra diz que gostaria de ser mais magra. “Principalmente a barriga, queria que fosse mais reta.” Ela conta que já fez várias dietas, mas nenhuma foi adiante. Quando está estressada ou em época de provas, ela se acaba no chocolate.

Os níveis de descontentamento mais baixos estão na Região Norte, onde 65% das entrevistadas querem ser mais magras. Por outro lado, as mais satisfeitas se concentram no Centro-Oeste. A pesquisadora especula que a realidade no Norte se dá por conta de as pessoas estarem mais distantes dos ideais socioculturais vistos no Sul e no Sudeste, de onde saem a maior parte dos modelos e artistas.

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