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Correio Braziliense

Comoção no Rio

Pais de menino morto em sala de aula ao ser alvo de bala perdida se despedem do filho


postado em 18/07/2010 12:25

O enterro do menino Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, 11 anos, foi marcado pela comoção. O jovem morreu ao ser atingido por um tiro no peito enquanto estudava no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Rubens Gomes, em Costa Barros, no subúrbio do Rio de Janeiro. O incidente aconteceu na última sexta-feira durante uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos da região. O garoto foi levado para o Hospital Carlos Chagas, mas já chegou morto.

Muito abalado, o pai do menino, Ricardo Freire, lamentou ter partido do Recife (PE) com a família para viver esse desfecho trágico no Rio. “Queria saber se quem fez isso, quem atirou, está dormindo tranquilo depois de saber que matou uma criança de 11 anos”, disse. Ricardo estava de férias no Recife, mas antecipou o retorno para o Rio para enterrar o filho. A família pretendia voltar para a terra natal no fim do ano, quando Wesley terminaria o ano letivo.

A mãe da criança estava tão abalada que nem sequer conseguiu falar com a imprensa. Parentes, professores e amigos homenagearam Wesley com palmas. Eles promoveram uma chuva de pétalas de rosas vermelhas e colocaram rosas brancas sobre o caixão. Também fizeram uma roda e se desculparam aos pais por não terem conseguido impedir a morte do garoto. “Senti a necessidade de me desculpar, porque queria que a família soubesse que fizemos de tudo para salvá-lo”, afirmou o professor Felipe Ribeiro.

Longe de escolas
Os professores fluminenses estão preocupados com esse tipo de ação da PM. “Já recorremos ao Ministério Público sobre essas incursões violentas da polícia perto de escolas. A Secretaria de Segurança diz que não pode informar sobre as operações policiais para não comprometer o sigilo das ações. Mas não é possível que mais crianças inocentes continuem morrendo por causa da ação da polícia”, critica a representante do Sindicado Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), Vera Nepomuceno. Ela também informou que já está tomando as providências para responsabilizar o governo do estado e o município pela morte da criança.

O comandante do 9º Batalhão, Fernando Príncipe, foi exonerado logo após a morte de Wesley. Ele era o responsável pelos policiais que faziam uma operação na região. O comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, determinou celeridade na investigação do caso.

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