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Correio Braziliense

Pedido de uma nova investigação

Ordem dos Advogados do Brasil quer a reabertura da apuração do atentado ocorrido há 30 anos, que matou secretária da entidade


postado em 28/08/2010 07:00

 
Trinta anos depois, a Polícia Federal recebeu pedido para fazer uma nova investigação sobre o atentado ocorrido em 27 de agosto de 1980, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro. A secretária Lyda Monteiro da Silva morreu ao abrir uma carta-bomba, endereçada ao então presidente da instituição, Eduardo Seabra Fagundes. O crime teria sido cometido supostamente pelos chamados terroristas de direita. O caso nunca foi totalmente esclarecido e uma nova apuração pode reacender outros fatos ocorridos no período, como a explosão de um artefato que estava em poder de dois militares no Riocentro, onde ocorria um evento alusivo ao 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, apoiou o pedido feito por Wadih Damous, dirigente da entidade no Rio, de uma nova investigação, que seria conduzida pelas polícias Federal e Civil. Mas será necessário verificar a viabilidade de um novo inquérito, já que o crime prescreveu há pelo menos 10 anos. “Vamos nomear uma comissão nacional com três advogados criminalistas e analisar as possibilidades jurídicas para reabrir o caso”, afirmou Ophir ao Correio. “Porém, a impunidade não deve prevalecer, apesar dos prazos prescricionais.”

Para que o caso seja reaberto, é necessário o aparecimento de um novo fato, como documentos, e constatação de que houve omissão na apuração do caso, em 1980. O atentado é atribuído a agentes do Departamento de Operações de Informações (DOI) do Exército, que também teriam participação em outras ações semelhantes em banca de jornais e à sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), todos ocorridos no mesmo período. “A partir do momento em que observamos que algumas situações foram omitidas, é necessário contestar. Mas é preciso fazer tudo com responsabilidade”, diz Ophir.

Na solenidade ocorrida ontem na OAB do Rio, onde a secretária morta no atentado foi homenageada, o ministro da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannucchi, afirmou que irá procurar o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, para pedir a localização dos agentes e dos delegados da PF que trabalharam no caso.

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