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Correio Braziliense

Unesp inicia apuração de "rodeio das gordas"

Instituição abre processo para investigar participação de alunos no ato de agressão a colegas obesas e aproveita para se defender da acusação de omissão


postado em 29/10/2010 09:47

São Paulo — A Universidade Estadual Paulista (Unesp) instaurou ontem a comissão que vai apurar o caso do “rodeio das gordas” e definiu que a investigação começa a partir do suposto envolvimento de dois alunos, Roberto Paulo de Freitas Negrini e Daniel Prado de Souza. Na portaria que será baixada hoje, a respeito do processo disciplinar, os dois são citados nominalmente.

Em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, Negrini diz que cerca de 50 universitários participaram da “brincadeira”. O que na verdade era uma humilhação pública das colegas consistia em agarrar as alunas, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio, ficando o maior tempo possível em cima da menina — daí o nome de “rodeio das gordas”. As cenas, descritas como absurdas por quem as acompanhou, foram protagonizadas durante uma festa dos jogos InterUnesp, em Araraquara.

Ontem, cerca de cem alunos acompanharam a reunião da congregação universitária da instituição. Enquanto alguns alunos carregavam cartazes, outros vestiam camisetas com a frase “contra a ditadura da beleza”.

A Unesp instaurou processo disciplinar para apurar o caso, mas aproveitou também para se defender. Em uma nota divulgada ontem, a instituição diz que “não pode proceder por meio de atos sumários em casos de acusações contra docentes, servidores técnico-administativos e alunos”. A Unesp disse ainda que “algumas manifestações isoladas passaram para o nível da ofensa à direção da faculdade, não só tumultuando o andamento das providências necessárias, mas também prejudicando ainda mais a imagem da Universidade.”

Sem respeito
Késia Rocha, presidente da ONG Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Sexualidade, que disponibilizou assessoria jurídica às vítimas, achou a posição da universidade, por enquanto, ineficaz. “Além de sindicância para apurar os fatos, vamos exigir a punição dos culpados”, afirmou ontem. E, se depender da promotora de Araraquara, Noemi Corrêa, o caso está longe de terminar. Ela instaurou ontem procedimento para apurar os fatos e a responsabilidade dos organizadores do InterUnesp no episódio. “Fiquei chocada ao ver como os estudantes não demonstram respeito para com o próximo.”

Os jogos universitários foram realizados entre 10 e 13 de outubro. Um grupo de estudantes da faculdade de ciências e letras do câmpus de Assis (SP) da Unesp teria agredido alunas no tal “rodeio”. O site de relacionamentos Orkut foi usado para incentivar que os estudantes cronometrassem o tempo que mantinham a garota presa, sugerir premiações e divulgar as regras da “competição”.

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