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Correio Braziliense

Mais um dia de caos no aeroporto de Confins (MG)

Maior aeroporto do estado entra no quarto mês sem aparelho essencial para pilotos. Passageiros têm fim de semana de caos


postado em 08/11/2010 11:01

Se uma chuva forte, típica desta época do ano, voltar a cair em Belo Horizonte nos próximos dias, nenhum avião chega ou parte pela pista do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana. O maior terminal do estado chega ao quarto mês sem o ILS (sigla em inglês para Instrument Landing System), sistema de aproximação por instrumentos, que dá orientação precisa ao piloto que está pousando em determinada pista em caso de mau tempo, e enfrentou verdadeiro caos no fim de semana. Da noite de sábado até as 9h de ontem, 17 voos foram cancelados e quatro internacionais tiveram atrasos de 12 horas. Como resultado, passageiros tiveram de dormir no aeroporto e os que queriam chegar a BH foram obrigados a voar para São Paulo ou Rio de Janeiro e, lá, esperaram por mais de 12 horas, sem hotel, comida ou informações. Ontem, foi preciso a intervenção da Polícia Militar para conter a fúria de quem se cansou de esperar. Assustados com a situação, pilotos internacionais chegaram a questionar se BH tem estrutura para ser uma cidade-sede da Copa do Mundo em 2014.

O instrumento que falta em Confins é ativado, de acordo com informações da Infraero, em casos de nebulosidade, quando pilotos não têm uma visão nítida da pista. Há quatro meses, segundo informa a assessoria de comunicação da empresa, o aparelho está sob manutenção pela Aeronáutica. No último dia 4, voltou a operar no terminal, mas foi preciso novo ajuste e somente em 15 de novembro ele deve voltar a funcionar. “Sem o instrumento, não há como pousar com segurança. Você não vê a pista, e ele funciona como um feixe de luz que nos guia para o pouso e a decolagem, fazendo que deixemos no piloto automático toda a operação. Sem ele, é um prejuízo enorme para a cidade, que será sede para o Mundial, em quatro anos. Nunca passei por isso em toda a minha carreira”, comentou o piloto da Tap Portugal, Tiago Matos, que somente ontem conseguiu partir para Lisboa. “O avião que nos buscaria não conseguiu pousar, tivemos que ficar aqui no sábado. Isso é um absurdo.”

Mas, ao contrário do que diz a Infaero, para a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo ILS, o transtorno não foi causado pela falta do aparelho. Segundo a FAB, a nebulosidade de sábado em Belo Horizonte era tão intensa que, mesmo com auxílio do instrumento, não haveria pousos nem decolagens na pista de Confins.

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