Jornal Correio Braziliense

Brasil

Menina deixa hospital amparada por homem que a salvou.Dez seguem internadas

Rio de Janeiro ; Funcionário de uma empresa que faz manutenção de caminhões, Fábio Souza, de 30 anos, passava próximo à escola quando ouviu o pedido de socorro da aluna Renata Lima, de 13 anos. Ferida por um tiro na barriga, a menina dizia que não queria morrer e pediu ajuda ao rapaz, que procurava o endereço de uma clínica médica no bairro. Ontem, Fábio esteve no Hospital Albert Schweitzer para receber a jovem, que teve alta. De mãos dadas, o desconhecido que amparou uma das vítimas do ataque se emocionou.

;Foi um desespero muito grande ver aquela menina baleada, sangrando. Ela gritava por ajuda, falava pouco e segurava o ferimento para estancar o sangue. Parei um carro qualquer na rua e pedi para que nos levasse até o hospital. Aqui, avisaram a família dela. Hoje (ontem), ela me agradeceu, e isso basta. Estou satisfeito e feliz por tê-la socorrido;, afirmou Fábio, emocionado. Renata ainda estava tonta e cansada e não quis dar declarações. Ao lado da mãe, deu apenas um sorriso, quando jornalistas perguntaram se ela estava bem.

Dez alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira ainda estão internados, três em estado grave. A movimentação nos hospitais foi intensa durante o horário de visitas, e uma depiladora da Tijuca, na Zona Norte, entregou quatro Bíblias infantis aos familiares dos estudantes. Pai de Edson Claiton Alves de Aguiar, de 15 anos, Edson de Aguiar estava desolado. Antes da visita, porém, enxugou as lágrimas e disse que deveria dar forças ao filho. ;Ele tem que sair dessa. É isso que vou dizer a ele. Meu filho estava na escola porque quero que ele seja muito diferente de mim, que não faça biscates por aí. Ele ainda tem a vida toda pela frente;, torcia ele.

Agarrada a um terço, a tia do menino, uma enfermeira que não quis se identificar, disse que a família tem fé. ;Essa é a hora em que a gente mais se agarra a Deus. É hora de rezar, rezar, rezar. Por ele e por todos;.

Com uma bala alojada no olho, Luan Vitor Santos Pereira, de 13 anos, foi operado e está em coma induzido no Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O caso dele é grave. ;Os médicos nos deram 48 horas para reavaliar o caso dele. É um momento de muita angústia, depois do horror que ele sofreu, mas, se Deus quiser, tudo ficará bem;, disse a tia de Luan, a enfermeira Cinthia de Moraes, de 31 anos. Seus dois filhos também estudam na escola , mas estavam em salas do terceiro andar. ;O sentimento é confuso. Vamos culpar a quem, revoltar-nos contra quem? Acho que as escolas precisam de mais segurança, talvez agora alguma coisa possa ser feita;, afirmou.

Preocupação
Na fila de visita do mesmo hospital, o pedreiro Jorgelino dos Santos Monteiro Junior, 34 anos, alternava-se entre a preocupação com a filha mais velha Taiane, de 13 anos, que levou quatro tiros, e a alegria de a mais nova, do 5; ano, ter perdido a hora. ;Tamires, de 11 anos, não conseguiu acordar e faltou à aula. Foi uma sorte, na verdade, ela também não estar na escola;, contou. ;Taiane acabou indo na frente e foi atingida por quatro tiros dentro da sala. Uma das balas foi na cabeça, a outra, na costela. Minha filha não está sentindo as pernas e, apesar de ser espoleta e sonhar em ser uma atleta, o que importa é a vida dela, mesmo que fique com sequelas;, desabafou.