São Paulo ; O uso excessivo da violência pela polícia não acabou após o episódio do Massacre do Carandiru, em que 111 detentos foram mortos pelas tropas que ocuparam o Pavilhão 9, no dia 2 de outubro de 1992. Passados 20 anos do massacre, ainda falta controle à Polícia Militar. ;Quando não se pisa no freio, a polícia extrapola porque é mais fácil trabalhar com violência;, disse Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Mingardi é cientista político, com doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e já foi secretário de Segurança Pública de Guarulhos, assessor do procurador-geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo e subsecretário nacional de Segurança Pública.
O especialista critica a política de segurança do estado de São Paulo e defende que é preciso ;pisar no freio; para evitar excessos na atividade policial. ;Combater excesso da polícia é controle. E controle é mandar a mensagem certa, que é avisar: passou desta linha será processado;, acrescentou.
[SAIBAMAIS]A Secretaria de Segurança Pública disse que não falta controle à polícia do estado. ;As polícias são controladas internamente por corregedorias e, externamente, fiscalizadas pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. Falar em falta de controle é má-fé ou sandice;, disse o órgão.
Sobre a crítica de que o governador Geraldo Alckmin estaria passando a ;mensagem errada; à população ao promover a comandantes das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) policiais envolvidos no massacre de 1992, a secretaria respondeu que ;a polícia é treinada para agir de acordo com a lei; e que, sempre que há excessos, os policiais são punidos. ;Importante lembrar que, neste ano, três policiais da Rota foram presos depois de serem acusados de homicídio em uma ação. A mensagem, portanto, sempre foi a de agir dentro da legalidade;, destacou a secretaria em nota.