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Correio Braziliense

PL que obriga uso de colete com airbag é criticado por motociclistas

A proposta do senador Humberto Costa (PT-PE) determina que uma invenção recente, que ajuda na proteção de lesões graves, especialmente no cóccix, na coluna vertebral, no peito e no pescoço, seja de uso obrigatório


postado em 24/01/2013 20:36

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
O projeto de lei que propõe a obrigatoriedade do uso de colete com airbag para motociclistas ainda tramita no Senado, mas a ideia já causa desconforto. A proposta do senador Humberto Costa (PT-PE) determina que uma invenção recente, que ajuda na proteção de lesões graves, especialmente no cóccix, na coluna vertebral, no peito e no pescoço, seja de uso obrigatório. O projeto tramita na Comissão de Assuntos Sociais e ainda passará por outras duas comissões.

O dispositivo do airbag é acionado em caso de forte impacto. Um cartucho libera gás carbônico, que infla a jaqueta. O senador justifica o projeto como mais uma alternativa de segurança diante do aumento de motos nas ruas e os constantes acidentes. “O fato é que as motocicletas estão cada vez mais substituindo os automóveis nas vias urbanas”, diz.

Apesar de reconhecer a importância da tecnologia na segurança do motociclista, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas, Ciclistas e Afins de Minas Gerais (SindMotoCicli ), Rogério dos Santos Lara, afirma que o colete com airbag é uma proposta inviável, uma vez que não há fabricação nacional do produto. “As empresas vão começar a demitir motoboys, porque o custo do colete ficará muito alto”, adianta.

Segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes e Atacadistas de Motopeças, o colete de airbag é vendido no Japão por preços que vão de R$2.490 a R$2.770. Mas na internet é possível encontrar o produto por R$800. O motoboy e diretor do SindMotoCicli Geraldo de Andrade também critica: “O produto é importado por custo alto e ainda precisa de refil de recarga. Não tem condições de pagar tanto por um produto que tem partes descartáveis”, diz.

Para resolver esse problema, o senador propõe a isenção de impostos na venda do produto, durante um período de cinco anos. A ideia, segundo ele, é que, após esse tempo, os coletes sejam produzidos no país, o que diminuiria o custo. Mas, ainda assim, a medida sofreria resistência, na opinião de Geraldo. “O governo já reduziu o ICMS do capacete, mas não adiantou. O motociclista ainda compra pensando no visual e no menor preço. Eles estão pensando na proteção, mas precisam investir em educação do motociclista, que é a origem do problema”, destaca.

Problemas práticos


Além do custo alto, o presidente do SindMotoCicli afirma que o colete tem problemas práticos. Ele explica que o equipamento deve ser preso à moto e isso dificulta a condução. “O motociclista não está acostumado a ficar preso à moto, então ia acabar disparando o airbag a todo momento”, diz. Geraldo de Andrade lembra, ainda, que o colete não protege os membros inferiores do corpo (pernas, pés, joelho), que normalmente são os mais atingidos em casos de queda.

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