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Assassinatos de moradores de rua em Goiânia vão para a Polícia Federal

De agosto do ano passado até agora, 30 assassinatos de sem-teto foram registrados na capital goiana. Nessa quarta-feira, seis suspeitos foram presos

Diante do crescente número de assassinatos contra moradores de rua na região metropolitana de Goiânia, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anunciou que vai pedir a federalização dos crimes. Ele tomou a decisão depois de se reunir com a ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Gurgel vai protocolar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ;incidente de deslocamento de competência;, um instrumento que, segundo o procurador-geral, ;só deve ser usado em último caso, quando se constata que autoridades estaduais não têm condições de cumprir papel de apuração;. De agosto do ano passado até agora, 30 assassinatos de sem-teto foram registrados na capital goiana.

[SAIBAMAIS]A Polícia Civil de Goiás informou, nessa quarta-feira (17/4), que prendeu seis suspeitos de envolvimento nas mortes de moradores de rua da região metropolitana de Goiânia (GO). Os homens foram detidos por policiais militares, que apreenderam também uma arma, e conduzidos à Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH). A suspeita é que o grupo tenha participado de alguns dos 29 assassinatos registrados desde agosto de 2012. A Polícia Civil já adiantou que ao menos três dos presos estão envolvidos com o narcotráfico.

As prisões reforçam a tese defendida pelas autoridades locais de que os crimes, ou pelo menos a maioria deles, estão relacionados a dívidas e disputas do narcotráfico. Ao contrário do que sustentam a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, que já declararam ver fortes indícios de que os moradores de rua de Goiânia estão sendo vítimas de grupos de extermínio.



A polícia chegou aos suspeitos a partir das investigações para esclarecer uma tentativa de homicídio frustrada registrada na madrugada do último domingo (15/4), contra um rapaz de 21 anos. Atingido por dois tiros, ele foi levado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e sobreviveu.

Segundo o chefe da DIH, delegado Murilo Polati, o rapaz vivia na rua há cerca de dois meses e, ao prestar depoimento à polícia, admitiu vender drogas para sustentar o próprio vício, apontando seu fornecedor ; a quem devia dinheiro, como o autor dos disparos. Outro morador de rua que testemunhou o crime também já prestou depoimento. ;Vejo uma tentativa de politizar o assunto;, disse o delegado à Agência Brasil na segunda-feira (16), comentando as declarações da ministra Maria do Rosário.

A ministra anunciou que, ainda esta manhã, vai entregar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o pedido para que a série de crimes seja federalizada, ou seja, investigada pela Polícia Federal (PF) e julgada na Justiça Federal.

Com informações da Agência Brasil