Jornal Correio Braziliense

Brasil

Consórcio rebate críticas da imprensa sobre ocupação de Belo Monte

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Pará divulgaram nota repudiando decisão da Justiça paraense que resultou na retirada de três jornalistas do canteiro de obras

Responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará , o Consórcio Construtor Belo Monte lamentou a posição da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Pará em relação à decisão da Justiça paraense que resultou na retirada de três jornalistas do canteiro de obras ocupado por manifestantes desde a última quinta-feira (2/5).

Mais cedo, as duas entidades divulgaram nota conjunta repudiando a decisão da juíza estadual Cristina Sandoval Collyer, da Comarca de Altamira (PA). Na última sexta-feira (3/5), a magistrada acatou parcialmente o pedido de reintegração de posse do canteiro Belo Monte, ajuizado pelo consórcio. Embora não tenha determinado a retirada dos manifestantes da área (a maioria é formada por índios da etnia Munduruku e questões envolvendo povos indígenas é competência da Justiça Federal), a juíza concedeu a reintegração de posse e determinou a saída dos não índios que estivessem ocupando o local.

[SAIBAMAIS] Com a sentença, o fotógrafo da Reuters Lunaé Parracho; o correspondente da Rádio França Internacional (RFI) no Brasil, François Cardona; e o jornalista e assessor do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Ruy Sposati, foram retirados do canteiro de obras. Sposati foi multado em R$ 1 mil por ter contrariado uma sentença judicial de outubro de 2011, que o proibia de, junto com outras pessoas, voltar a ingressar no empreendimento.



Fenaj e o sindicato paraense classificaram o episódio como uma ;brutal agressão ao exercício profissional; e uma ;condenação a quem se dispõe a prestar o serviço da denúncia de diversos problemas vividos pela população da região à sociedade paraense e brasileira;. Para o consórcio, o posicionamento das duas entidades é fruto da desinformação.

;A Fenaj e o sindicato estão desinformados. Lamentamos não termos sido procurados para que pudéssemos esclarecer os fatos. É lamentável que as entidades contrariem um princípio básico do jornalismo, que é ouvir o outro lado;, disse há pouco, à Agência Brasil, o assessor do consórcio, Fernando Santana.

Santana garantiu que o consórcio não restringe ou impede o trabalho jornalístico, independente do teor das matérias. Segundo ele, além dos repórteres dos vários veículos que cobrem o assunto com regularidade, ao menos 64 profissionais de diferentes nacionalidades já visitaram o empreendimento para produzir reportagens especiais.

;Não há proibição ou limitação ao trabalho jornalístico, desde que o ingresso no canteiro de obras seja previamente agendado;, disse o assessor, criticando a iniciativa da Fenaj e do sindicato, que, segundo ele, coloca os três jornalistas na condição de ;pobres vítimas;.

;A área é privada e nela só deve entrar quem estiver autorizado pelo consórcio, que é quem responde juridicamente por qualquer coisa que aconteça no local. Os três citados entraram acompanhando os índios. Depois que todas as outras equipes jornalísticas deixaram a área, sem nenhum problema, os três permaneceram acampados no interior do canteiro. Durante o tempo que lá permaneceram, nenhum deles procurou o consórcio em busca de informações, para ouvir o outro lado. Se as entidades entendem que isso é o exercício da função jornalística, nós não concordamos. Para o consórcio, eram invasores;, disse Santana, acrescentando que o Consórcio Construtor Belo Monte defende a liberdade de imprensa e respeita o exercício da função, mas que a profissão não pode ser usada como álibi para a prática do ativismo ambiental.