Jornal Correio Braziliense

Brasil

DF tem 4 mil na fila da reprodução assistida só no sistema público de saúde

O Hospital Materno Infantil de Brasília é um dos sete centros públicos de saúde do país que oferecem o tratamento de graça

A atualização das normas para a reprodução assistida feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e publicada ontem no Diário Oficial tem forte impacto na vida de milhares de homens e de mulheres com dificuldade para ter filhos. Embora não exista um levantamento do tamanho da lista de espera por procedimentos de gravidez assistida no país, aqui no Distrito Federal, a quantidade de pessoas cadastradas para o tratamento passa de 4 mil só no sistema público de saúde. Cerca de 2 mil já iniciaram os procedimentos. A média é de 200 casais atendidos por ano. O Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) é um dos sete centros do país que oferecem uma série de técnicas para reprodução assistida gratuitamente, segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.



O número de clínicas privadas, entretanto, é bem superior ao da rede pública ; são mais de 250 em todo o país ; , o que demonstra que a demanda pelo serviço é elevada. Em artigo publicado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no fim do ano passado, o médico Édson Borges Júnior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida e diretor de uma clínica privada de reprodução humana, informou que, a cada ano, são feitos cerca de 2,5 mil procedimentos de gravidez assistida no Brasil. A taxa anual de crescimento desse tipo de técnica fica entre 5% e 10%.

Com tantos casais à espera de tratamento para ter filhos, especialistas veem a resolução do CFM como fundamental na regulamentação do processo. O documento traz mudanças significativas, como a limitação da idade máxima para reprodução assistida em 50 anos. Ela também deixa claro que casais homoafetivos podem se submeter ao tratamento e que embriões congelados há mais de cinco anos sejam descartados, com autorização da família.