Um estudo encomendado pelo advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella Nardoni, promete reacender e provocar uma reviravolta no caso. O criminalista Roberto Podval solicitou uma análise técnica ao Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University, James K. Hahn, e a mesma enviou um laudo afirmando que as marcas no pescoço de Isabella não foram provocados por mãos humanas. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta da criança, foram condenados por homicídio doloso triplamente qualificado, meio cruel, sem dar chance de defesa para a vítima. O casal permanece preso desde 2010 quando foi oficializada a condenação pelo 2; Tribunal do Júri de São Paulo.
[SAIBAMAIS]Um relatório será divulgado por Podval para ser incluído no processo do caso. O relatório vai mostrar como os peritos chegaram a esse resultado e como as análises foram realizadas. Mesmo sabendo que a Justiça dificilmente aceita a análise de provas novas em habeas corpus, é por meio disso que o criminalista pretende tirar o casal da cadeia. Só depois do trânsito em julgado de um caso - sua decisão judicial final -, é que se pode pedir a revisão criminal. Para isso, o casal Nardoni teria de esperar preso. Podval considera que a espera na cadeia depois do surgimento de uma dúvida mais do que razoável de que o casal tenha cometido o crime é algo que a Justiça deve evitar, daí porque o criminalista acredita ser possível a libertação.
O defensor do casal devia embarcar ainda nesta quinta-feira (8) à noite para os Estados Unidos a fim de apanhar o resultado dos exames. Ele deve se reunir ainda nesta semana com a equipe do professor Hahn, em Washington. O retorno ao Brasil estava marcado para a próxima semana. ;Vamos preparar o recurso. Sempre acreditei na inocência de meus clientes.;
Acusação e prisão
De acordo com a acusação, a menina teria sido espancada pela madrasta, que teria tentado sufocá-la. Pensando que ela estava morta, o pai cortou com uma tesoura uma rede de proteção da janela de um quarto do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo. Em seguida, Alexandre apanhou a menina e a atirou pela janela. A criança caiu no jardim do prédio. O pai recebeu a pena de 31 anos de prisão, enquanto a madrasta, de 26 anos e 8 meses. Ambos recorreram da decisão, mas a Justiça ainda não terminou de analisar seus recursos.