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Laudo produzido nos EUA reacende discussão sobre caso Isabella Nardoni

Uma análise técnica feita no Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University, James K. Hahn, mostra que marcas no pescoço de Isabella não foram provocados por mãos humanas

Filipe Barros
postado em 08/08/2013 11:23

Um estudo encomendado pelo advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella Nardoni, promete reacender e provocar uma reviravolta no caso. O criminalista Roberto Podval solicitou uma análise técnica ao Instituto de Engenharia Biomédica da George Washington University, James K. Hahn, e a mesma enviou um laudo afirmando que as marcas no pescoço de Isabella não foram provocados por mãos humanas. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta da criança, foram condenados por homicídio doloso triplamente qualificado, meio cruel, sem dar chance de defesa para a vítima. O casal permanece preso desde 2010 quando foi oficializada a condenação pelo 2; Tribunal do Júri de São Paulo.

Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, morreu ao cair do 6º andar de um prédio localizado na rua Santa Leocadia, em São Paulo

De acordo com Podval, os laudos mostram que as marcas chamadas de esquimose puntiformes, que estavam no pescoço de Isabella podem ter sido provocadas por uma queda que ela teria sofrido quando passou por uma pequena palmeira no jardim. ;Isso é surpreendente. O laudo diz que as marcas não foram causadas por mãos humanas, mas não diz o que as pode ter causado. Ele é inconclusivo nesse ponto. Mas acredito que elas podem ter sido causadas na queda;, afirmou o criminalista. Para fazer as análises, o criminalista fez moldes das mãos dos dois acusados. O estudo da equipe do professor Hahn foi desenvolvido com base nas articulações das mãos e dos dedos.



[SAIBAMAIS]Um relatório será divulgado por Podval para ser incluído no processo do caso. O relatório vai mostrar como os peritos chegaram a esse resultado e como as análises foram realizadas. Mesmo sabendo que a Justiça dificilmente aceita a análise de provas novas em habeas corpus, é por meio disso que o criminalista pretende tirar o casal da cadeia. Só depois do trânsito em julgado de um caso - sua decisão judicial final -, é que se pode pedir a revisão criminal. Para isso, o casal Nardoni teria de esperar preso. Podval considera que a espera na cadeia depois do surgimento de uma dúvida mais do que razoável de que o casal tenha cometido o crime é algo que a Justiça deve evitar, daí porque o criminalista acredita ser possível a libertação.


O defensor do casal devia embarcar ainda nesta quinta-feira (8) à noite para os Estados Unidos a fim de apanhar o resultado dos exames. Ele deve se reunir ainda nesta semana com a equipe do professor Hahn, em Washington. O retorno ao Brasil estava marcado para a próxima semana. ;Vamos preparar o recurso. Sempre acreditei na inocência de meus clientes.;

Acusação e prisão

De acordo com a acusação, a menina teria sido espancada pela madrasta, que teria tentado sufocá-la. Pensando que ela estava morta, o pai cortou com uma tesoura uma rede de proteção da janela de um quarto do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo. Em seguida, Alexandre apanhou a menina e a atirou pela janela. A criança caiu no jardim do prédio. O pai recebeu a pena de 31 anos de prisão, enquanto a madrasta, de 26 anos e 8 meses. Ambos recorreram da decisão, mas a Justiça ainda não terminou de analisar seus recursos.

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