Brasil

Manifestações marcam Sete de Setembro no Brasil

Manifestações foram convocadas em mais de 100 cidades através das redes sociais

Agência France-Presse
postado em 07/09/2013 20:03
Brasília - Manifestantes voltaram às ruas das principais cidades brasileiras neste Sete de Setembro, o que gerou confrontos, principalmente em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, com pessoas sendo dispersadas pela polícia com gases lacrimogêneo e de pimenta.

Manifestações foram convocadas em mais de 100 cidades através das redes sociais, mas foram significativamente menores do que as de junho, quando mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas contra a corrupção e os gastos públicos milionários com os estádios da Copa do Mundo, e por melhores serviços.

"Nós, brasileiros, voltamos às ruas para exigir das autoridades o que reivindicamos em junho: o fim da corrupção e um melhor sistema de transportes, saúde e educação", disse à AFP a estudante brasiliense Ivana Ariel.

[SAIBAMAIS]Em Brasília, após denunciar a corrupção na classe política diante do Congresso, centenas de manifestantes tentaram romper o cordão policial que protegia o estádio Mané Garrincha, duas horas antes do amistoso entre Brasil e Austrália, sendo dispersados com gás lacrimogêneo.

Os manifestantes corriam em todas as direções nos arredores do estádio, perseguidos pelo Batalhão de Choque e a Polícia Montada. A principal via de acesso ao estádio foi tomada pela fumaça dos gases.

A polícia lançou gás de pimenta contra um grupo de jornalistas - entre eles um fotógrafo da AFP, que precisou de antendimento médico - que protestavam porque um colega havia sido atacado por um cão da polícia.

A polícia voltou a lançar gás lacrimogêneo nas áreas onde os manifestantes continuavam se concentrando em Brasília, e usou jatos d;água para dispersá-los na principal avenida da cidade, a 500 metros do Congresso. Um total de 39 pessoas foram detidas na capital do país, informou a polícia à imprensa.

Confrontos também no Rio e em São Paulo


Os confrontos entre manifestantes e policiais ganharam força no fim do dia no Rio de Janeiro e em São Paulo, liderados, principalmente, por grupos de mascarados.

No centro de São Paulo, um grupo de manifestantes tentou invadir a Câmara Municipal, e a polícia tentava dispersá-los com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, informou um policial militar.

Um manifestante foi ferido no olho, e, com o rosto coberto de sangue, caiu na rua, onde foi socorrido pela polícia. Os protestos começaram cedo, coincidindo com os desfiles militares que marcam a data.

No Rio de Janeiro, mais de 100 manifestantes invadiram a avenida onde acontecia o desfile. Para dispersá-los, a polícia lançou gás lacrimogêneo perto do público, que incluía famílias com crianças, que correram para se proteger. Treze pessoas ficaram feridas e 27 foram detidas.

"A educação brasileira é uma vergonha, os salários também", reclamava o professor recém-formado Eduardo Marques, 25.

;Papuda Móvel; para políticos corruptos

Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff participou pela manhã do desfile militar, em carro aberto.

Coincidindo com o fim do evento, 2 mil manifestantes marcharam até o Congresso. Um grupo exibia um "Papuda Móvel" para transportar, simbolicamente, os políticos corruptos para a prisão de segurança máxima da cidade. Outros manifestantes "limparam" os acessos ao parlamento com vassouras.

"Os protestos de junho serviram para pressionar o Congresso a aprovar medidas. Temos que mantê-los vivos", explicou Philip Leite, do movimento estudantil Kizamba.


Em pronunciamento à nação nesta sexta-feira, a presidente Dilma disse que "a população tem todo o direito de se indignar com o que está errado e exigir mudanças".

A popularidade da presidente caiu de 63% para 30% depois dos protestos de junho, mas subiu para 36% no começo de agosto, depois do anúncio de novos investimentos nos serviços públicos, e de sua decisão de promover uma reforma política.

Em outras cidades também houve manifestações, muitas delas pacíficas. Em Cuiabá, Fortaleza e Belo Horizonte, dezenas de pessoas foram detidas.

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