Vera paga um empréstimo e sustenta a família com cerca de R$ 500 por mês. As crianças, entre seis e 12 anos, ajudam como podem. Uma delas auxilia na remoção de fios de cobre para um ferro-vellho que fica colado na favela, na Avenida Radial Oeste.
Também com a casa para ser demolida, a doméstica Tatiane Souza Gardêncio, cobra auxilio da prefeitura para a mudança e pede um imóvel novo. Ela mora na comunidade há oito meses com oito familiares, entre filhos e netos, depois de deixar a favela em Campo Grande, na zona oeste.;Eles [a prefeitura] falam que é invasão. Mas eu vou preferir morar na rua com os meus filhos do que na invasão? Não;, disse. ;Eu vim porque estava vazio. Peguei e entrei;.
De acordo com o agente da Pastoral de Favelas, Luís Severino da Silva, que acompanha a situação desde 2011, quando a comunidade foi notificada para deixar o local, os imóveis em pé foram apropriados por famílias em situação de vulnerabilidade extrema. ;Tem que fazer uma triagem e realocar essas pessoas urgentemente. Botar todo mundo na rua não resolve;, disse.
[SAIBAMAIS]Para Silva, a prefeitura falhou ao deixar os imóveis da Metrô-Mangueira em pé e em despejar, agora, os novos moradores. ;Essas pessoas não têm uma casa, nunca tiveram. Não adianta despejá-los, jogá-los na rua. Abrigo não funciona. A prefeitura tem que acolher;, reforçou.
A Secretaria Municipal de Habitação disse que as cerca de 630 famílias que viviam originalmente na comunidade foram reassentadas e que os moradores que posteriormente ocuparam os imóveis desapropriados estão inscritos no Programa Minha Casa, Minha Vida, aguardando o sorteio de uma nova moradia. A única alternativa para eles é a espera em abrigos da prefeitura.