
Eduardo Coutinho estabeleceu uma nova forma de pensar e fazer documentário. A avaliação é da diretora da Escola de Cinema Darcy Riberiro, Irene Ferraz. Para ela, a obra de Coutinho é um marco na história do documentário mundial. "Ele teve uma reflexão mais profunda sobre nós mesmos, sobre o que acontecia nas cidades, sobre o povo brasileiro. Ele foi um pensador da antropologia social e ousou falar de constrastes. Ele colocou o povo para falar", disse.
Segundo Irene, Coutinho sempre participava de eventos na escola, mas recusou convites para ser professor. "Ele dizia que isso não era para ele". ;É um momento de muita tristeza para a cultura brasileira, para o cinema brasileiro. Sem dúvida ele era um de nossos grandes talentos. Nós só temos a lamentar;, disse o cineasta SilvioTendler. De acordo com Tendler, a morte de Eduardo Coutinho deixará ;uma lacuna muito grande, ao mesmo tempo em que deixa uma obra que vai continuar sendo vista e discutida. Alguns de seus filmes estão entre os mais importantes do cinema brasileiro, do cinema como um todo. Ele é um dos artistas brasileiros mais importantes de todos os tempos;.
Para o também cineasta, Luiz Carlos Barreto, a "morte do Eduardo Coutinho não é uma perda apenas para o cinema brasileiro. É uma perda para o cinema mundial. Ele foi, no plano brasileiro e internacional, uma figura revolucionária na linguagem do documentário, porque ele soube introduzir, além do simples registro, a dramaturgia.
Os documentários de Coutinho criaram uma escola dramatúrgica para os documentários. Isso sem contar sua contribuição nos pensamentos e no movimento político do Cinema Novo, para construir um cinema de produção permanente;, disse Barreto. Pelo Twitter, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil e o cinema brasileiro perderam ;seu maior documentarista;. Paulistano, Coutinho começou sua carreira na ficção.
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Nos anos 70, iniciou uma trajetória de documentarista ao dirigir uma série de programas para o Globo Repórter, da TV Globo. Em 1984, concluiu Cabra Marcado para Morrer, filme que o consagrou internacionalmente. Dirigiu também Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987), O Fio da Memória (1991), Boca do Lixo (1992), Os Romeiros do Padre Cícero (1994), Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002) e Peões (2004). Em junho passado, o cineasta foi convidado, junto com José Padilha, a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar.
O cineasta, de 81 anos, foi encontrado morto nesse domingo (2), dentro de casa, no bairro da Lagoa, na zona sul do Rio. O principal suspeito da morte é seu filho, Daniel, que está sob custódia da polícia, internado no Hospital Miguel Couto. Segundo a Polícia Civil, Daniel esfaqueou o pai e a mãe, Maria das Dores, e depois tentou se matar. O corpo do cineasta está sendo velado no Cemitério São João Batista e deve ser enterrado às 16h.