postado em 12/05/2014 18:06
Pesquisadores do Arquivo Nacional lembraram nesta segunda-feira (12/5) que documentos das Forças Armadas sobre a Ditadura Militar continuam desaparecidos. Especialistas do órgão cobraram a entrega de arquivos do antigo Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e do Centro de Inteligência do Exército (CIE), além de registros das universidades, dentre as quais a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de São Paulo (USP), que sofreram ação de agentes da repressão.Segundo a professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Inez Teresinha Stampa, apesar da colaboração do Ministério da Defesa, instituições militares seguem negando informações sobre os documentos. Stampa é assessora de coordenação do Centro de Referência Memórias Reveladas, criado pela Presidência da República para recolher e divulgar informações sobre o regime.
;Ao analisar os documentos do SNI (Serviço Nacional de Informações), encontramos referências, correspondências e informações sobre o Cenimar. Porém, não temos nenhum documento do Centro de Informações da Marinha recolhido ao Arquivo Nacional. Então, onde estão?;, questionou Stampa. De acordo com ela, os órgãos oficiais dizem que os papeis não existem mais.
[SAIBAMAIS]O assessor do presidente do Arquivo Nacional para o centro de referência, Vicente Rodrigues, afirma que, apesar do volume de informações recolhidas ; 24,4 milhões de páginas ;, as buscas continuam. ;Há documentação desaparecida, como a do Centro de Inteligência do Exército, que é uma fonte importantíssima ainda não localizada;, frisou. Segundo ele, há relatos de que os documentos também foram destruídos, ;Mas isso ainda não foi comprovado;, rebateu. O Ministério da Defesa não informou sobre o paradeiro dos arquivos mencionados.
Mesmo que os órgãos militares tenham destruído os documentos relativos ao regime ditatorial, Inez Teresinha Stampa explica que é preciso esclarecer as circunstâncias do procedimento. ;Isso tinha que ser feito com ata, com um responsável pelo descarte, tinha que ter até uma lista desses documentos. Ou seja, quando foi e quem era o responsável, coisa que não conseguem nos responder;, ressaltou.
Os especialistas do Arquivo Nacional estão reunidos esta semana para o seminário "Ditadura e Transição Democrática ; 5 anos do [Centro de Referência] Memórias Reveladas nos 50 anos do golpe de 1964", realizado no Rio de Janeiro. O evento, que segue até sexta-feira (16), avalia o acesso à informação e a atuação da Comissão Nacional da Verdade.
Nas discussões de hoje, os participantes destacaram que universidades federais e estaduais também são detentores de materiais importantes sobre período. ;A UFRJ, que é uma universidade grande e um dos epicentros do golpe, digamos, não localizou os órgãos que guardavam esses documentos, as Assessorias de Segurança e Informação (ASI);, disse. ;A USP também não;, acrescentou a pesquisadora, que aposta na Comissão da Verdade das próprias instituições para localizar e trazer à tona pedaços da história do país.