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Ganenses que vieram para a Copa do Mundo querem refúgio no Brasil

Com a desculpa de acompanhar o Mundial, estrangeiros desembarcaram no país e alegam conflitos religiosos para não voltar. Só em Brasília, mais de 200 esperam autorização de refúgio. Ministro do país africano nega justificativas

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Racionalmente, a conta não fecha: são sete colchões para 22 pessoas. A casa apertada tem uma sala pequena, banheiro e um único quarto. Poucos móveis completam o ambiente. Os moradores, todos homens, entre 16 e 39 anos, não falam português e ilustram uma situação de completa vulnerabilidade. Estimulados pela própria família, cristãos e muçulmanos, solteiros, alguns com filhos, deixaram Gana, na África, para trás. Jogaram mudas de roupa na mala e embarcaram para o Brasil às vésperas da Copa do Mundo.

Espremidos em lares improvisados, sem dinheiro nem emprego, já são pelo menos 200 ganenses alojados em Brasília, segundo estimativa dos próprios estrangeiros. Até o momento, a onda migratória de africanos estava sendo acompanhada pelo Ministério da Justiça apenas na cidade gaúcha de Caxias do Sul, a aproximadamente 120km de Porto Alegre. Na capital, a maioria encontrou abrigo em Samambaia e em Taguatinga. No imóvel visitado pelo Correio, o aluguel custa R$ 500, repartido entre o grupo até quando durar a reserva de dinheiro que trouxeram. Por ora, a grana garante a batata-doce que vai ao forno e ajuda a matar a fome.



Com fala forte e sem desviar o olhar, Mohammed Yussif, 19 anos, um porta-voz do grupo, diz que, naquela casa, ninguém quer voltar para o país onde nasceu. ;Em qualquer hipótese, é melhor ficar aqui do que ter continuado lá;, resume Mohammed, com consciência de que cresceu em um ambiente de risco, repleto de conflitos e sem qualquer perspectiva de melhoria de vida. ;Queremos ficar aqui;, insiste mais de uma vez.

Desde que chegaram ao Brasil, os ganenses daquela rua de Samambaia não deram sinal de vida aos familiares. ;Não temos dinheiro para ligar;, explica Stephen Danso, 25, com saudade da filha de 5 anos. Não falta, no entanto, vontade de trabalho. ;Fazemos qualquer coisa;, solta Francis Owusu, 21. ;Não importa o que seja, precisamos de trabalho para sobreviver. E pode ser trabalho duro;, emenda David Yaw Totimeh, 27, pai de dois filhos, antes de interromper a conversa para, ajoelhado em um tapete, fazer as orações da tarde.

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